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Com saída de Zoellick, Lula pode ser o novo presidente do Banco Mundial?

Simbolismo de apontamento de um líder proveniente de um país em desenvolvimento seria enorme, afirma Gregory Chin, do FT

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SÃO PAULO – O ex-presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva, pode ser o próximo presidente do Banco Mundial, destacou Gregory Chin, professor de ciências políticas da universidade canadense de York University e colunista do Financial Times. A saída de Robert Zoellick do cargo abriu espaço para discussões sobre qual seria o perfil do próximo presidente da autarquia – instituída com o acordo de Bretton Woods no pós segunda guerra mundial.

“Há uma demanda para que o próximo presidente não seja norte-americano, uma tradição desde a fundação do Banco Mundial”, afirma Chin. Ele acredita que, enquanto os países desenvolvidos preferem discutem as distorções globais no comércio e nas finanças, os países em desenvolvimento têm uma agenda pautada por maior representação nos mecanismos, como o próprio banco e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Brasil luta por reconhecimento
Já há algum tempo, a política externa brasileira tem focado em buscar maior reconhecimento para o País – fato que pode ser comprovado na tentativa de obter um assento permanente no conselho de segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), suas contribuições para a ADI (Associação Desenvolvimento Internacional) e suas frequentes tentativas de coordenar tratos internacionais. 

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Em relação ao Banco Mundial, o Brasil também possui maior reconhecimento. “Não há razões para que o presidente seja de uma nacionalidade específica. Deveria ser apenas alguém competente e capaz”, destacou Guido Mantega, ministro da Fazenda brasileiro. Para Chin, Lula seria um nome possível. 

Lula como líder de emergentes
O professor lembra das características do ex-presidente, que se mostrou um líder hábil e carismático durante os oito anos que governou o País. “Sob Lula, o Brasil entrou na crise financeira global forte e bem governado, saindo mais rapidamente que as economias mais avançadas”, afirmou Chin. Enquanto isso, os bancos nacionais e as empresas multinacionais brasileiras continuaram a se fortalecer. 

Lula sempre foi uma figura robusta nas reuniões do G-20 (grupo das 20 maiores economias mundiais), demandando reformas para o sistema representacional nas instituições. Ele também foi um importante líder do mundo em desenvolvimento, advocando por maior laço entre essas economias, incluindo o continente africano. Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China) também receberam apoio do ex-presidente. Assim, Lula também se tornou um líder respeitado pelos países desenvolvidos, levando a ser eleito “Pessoa do Ano” por duas respeitadas instituições de ciências políticas na Europa. 

Banco Mundial precisa de uma mudança?
Chin lembra que apontar Lula como presidente não resolveria os problemas de legitimidade enfrentados pelo Banco Mundial. A instituição apenas recentemente começou a apontar pessoas de países em desenvolvimento para cargos importantes, com o chinês Lin Yifu ascendendo ao papel de economista-chefe. Assim, o simbolismo da presidência de Lula seria enorme. 

Contudo, é possível que Lula não aceite a nomeação por conta de seu estado de saúde – o ex-presidente batalha contra um câncer na laringe. Assim, o professor destaca que a procure deve ser por um nome com credenciais similares, se não, iguais.