Com reformas, crescimento anual do Brasil pode chegar a 5% durante dez anos

Projeções apontam avanço nos próximos dois anos; depois, necessidade de reformas abre período incerto para o País

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SÃO PAULO – A economia brasileira cresceu nos últimos treze anos. Série que foi alcançada apenas antes da década de 80. De lá para cá, algumas crises e programas econômicos desastrados complicaram o cenário.

O crescimento agora é ininterrupto, mas não acelerado. Em 2006, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto Brasileiro) chegou a 3,7%. Para este ano, a expectativa do mercado, expressa no relatório Focus é de 4,7% e de 4,4% em 2008.

Depois disso, o cenário acinzenta. Não só pela dificuldade em realizar projeções de longo prazo, mas porque as perspectivas não assumem um Brasil com as reformas estruturais que poderiam elevar a velocidade do crescimento.

Liberdade econômica

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Mesmo ficando acima da média internacional, o índice “Liberdade Econômica” da Heritage Foundation em parceria com o The Wall Street Journal, ainda mostra o Brasil na 70º posição, com 60,89 pontos (na escala, 0 indica uma economia totalmente fechada e 100, totalmente aberta).

O Chile, o país com a economia mais livre da América Latina, figura na 11º posição, com 78,29 pontos. Dois dos itens da avaliação brasileira que mais pesam são corrupção (37) e liberdade financeira (40). No Chile, estes itens estão em 73 e 70, respectivamente.

“Ao longo da segunda metade da década de noventa, as reformas pró-mercado trouxeram a economia brasileira para um patamar de abertura próximo ao da mediana internacional. No entanto, desde então, reduziu-se significativamente o ritmo da abertura da economia”, afirma o analista político da Tendências Consultoria, Rogério Schmitt.

As reformas

Segundo analistas, a realização de reformas estruturais no Brasil poderia acelerar mais rapidamente o crescimento. Porém, esta expectativa perde força quando o governo dá sinais contrários, como a elevação de gastos correntes e criação de cargos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seu segundo mandato e Lula priorizaram a adoção de políticas macroeconômicas responsáveis a reformas liberalizantes, diz Schmitt. Para ele, este cenário sugere que talvez esteja na hora de os governos acelerarem novamente a abertura da economia brasileira.

“No Brasil, falta vontade para limitar o avanço do gasto público, o que impede a reforma tributária”, avalia o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. “O Governo tem evitado debater reformas importantes como a trabalhista e previdenciária, preocupado em não desagradar setores internos”, diz.

“A nação clama por estas reformas. O governo Lula ainda teria tempo hábil para iniciar as reformas e passar para o próximo governo”, reclama o presidente do Conselho de Administração do IBEF – SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo), Walter M. Machado de Barros.

O pedido de Barros, contudo, pode não ser atendido, ao menos na opinião do economista-chefe da área de macroeconomia da Tendências Consultoria, Juan Jensen. Para ele, é muito pouco provável que essas reformas caminhem nos próximos anos. Porém, um próximo governo poderia ter força e vontade para tal.

Crescendo acima de 5%

O economista da Tendências possui duas projeções. Uma considera o Brasil sem as reformas e a outra com. Em um horizonte de dez anos, Jensen vê o crescimento do PIB entre 4% e 4,5% ao ano. No cenário otimista, o incremento poderia chegar ao patamar entre 5% e 5,5% ao ano.

“No curto prazo parece pouco, mas quando a gente agrega vários anos crescendo um ponto percentual acima, no final, o aumento do padrão de vida se torna bastante relevante”, explica.

O debate sobre a sucessão presidencial ainda é muito incipiente. Os candidatos ainda não foram declarados e as pesquisas pouco revelam sobre a próxima disputa em 2010. Uma coisa é certa: o próximo presidente, se tiver um perfil pró-reforma, terá um trabalho árduo.

“O primeiro problema é o fiscal, principalmente em relação ao aumento de gastos, o que dificultaria uma reforma tributária. Em um cenário em que se têm gastos que você não consegue cortar, há uma rigidez fiscal bem complicada para o próximo presidente”, diz Jensen. O Brasil espera ao menos um debate neste sentido.