Perspectivas

Com mercado de olho em Trump, novas medidas do governo e IPCA agitam a próxima semana

Entre 6 e 10 de fevereiro, dois importantes fatores que têm ajudado na alta da Bolsa passarão por testes: as reformas do governo e a inflação

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SÃO PAULO – Após dias agitados no mercado com uma série de eventos no Brasil e no exterior, a agenda de indicadores perde força na segunda semana de fevereiro, mas nem por isso o mercado deve ficar mais tranquilo. Entre 6 e 10 de fevereiro, dois importantes fatores que têm ajudado na alta da Bolsa passarão por testes: as reformas do governo e a inflação.

No primeiro caso, destaque para a primeira semana do Congresso, que voltou do recesso e elegeu seus novos presidente para Senado e Câmara dos Deputados. A partir de agora, o mercado terá mais detalhes sobre os andamentos das medidas do governo e qual será a velocidade de tramitação delas. No caso da inflação, será divulgado o primeiro dado do IPCA mensal de 2017, que trará maiores indicações sobre o desempenho dos preços.

No exterior, Donald Trump segue como principal driver nos EUA, que segue como uma incógnita para os especialistas e pode surpreender com declarações e novas medidas. A China divulga dados da balança comercial, enquanto Mario Draghi fala dia 6 e pode afetar o humor do mercado com novidades sobre a economia europeia.

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Por fim, o investidor deve ficar de olho ao Banco Central e um possível anúncio de swaps. A autoridade segue sem atuar no câmbio este mês, mesmo com o dólar se aproximando dos R$ 3,10. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse na última semana que a decisão de rolar ou
não os swaps de março dependerá das “condições de mercado”.

Operadores consideram ainda que, caso dólar volte a despencar, o BC poderá recorrer a leilões de swaps reversos ou até mesmo cortes mais agressivos da Selic. Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, para o BC retirar todo o volume, estes leilões deveriam ser superiores a US$ 500 milhões por dia. “Parece muita coisa. Então, o mais provável é a retirada parcial de swaps este mês”, afirma.

Confira os principais destaques da semana:

Política

O presidente reeleito da Câmara, deputado Rodrigo Maia disse que vai instalar a comissão especial para a reforma da Previdência na próxima semana. Disse ainda já ter relatores para as reformas Trabalhista e da Previdência e espera que ambas sejam aprovadas neste semestre. Enquanto isso, o mundo político segue temendo as novidades que podem surgir na Lava Jato, principalmente após a definição do novo relator no STF, Edson Fachin, que pode tirar o sigilo da delação dos executivos da Odebrecht a qualquer momento.

Medidas econômicas

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Além das reformas no Congresso, outras ações devem chamar atenção. Michel Temer e o ministro das Cidades, Bruno Araújo, vão anunciar na segunda-feira (6), um pacote de novas medidas para revigorar o Programa Minha Casa Minha Vida. Segundo o Ministério, a contratação de novas unidades habitacionais, o reajuste de renda dos beneficiários do programa e a ampliação do teto dos imóveis por recorte territorial e localidade estão entre as ações que serão apresentadas. Ainda no radar, segundo o Valor, devem ser fechadas na próxima semana as regras para o conteúdo local na 14ª rodada de licitações de blocos de petróleo e gás.

IPCA

O IPCA de janeiro sai na quarta-feira (8) às 9h (horário de Brasília) e, segundo compilado da Bloomberg, a estimativa é que fique em 5,45% no acumulado de 12 meses, ante 6,29% em dezembro. O índice mensal deve acelerar de 0,30% para 0,47%, mas deve ficar muito abaixo do resultado de janeiro de 2016, quando atingiu 1,27%, o que explica a expectativa de forte desaceleração no comparativo anual.

Macri no Brasil
O presidente da Argentina, Maurício Macri, virá ao Brasil na próxima terça-feira (7) para uma visita de Estado, e um dos principais assuntos na agenda de reuniões com o presidente Michel Temer será uma maior abertura nas trocas bilaterais e entre os países do Mercosul.

A viagem é vista pelo governo brasileiro como uma retribuição à ida de Michel Temer, em outubro, à Argentina, primeiro país da América Latina a ser visitado pelo presidente brasileiro após o peemedebista ter chegado ao Palácio do Planalto, em agosto. O país vizinho é o maior parceiro comercial do Brasil na região. 

Segundo o embaixador Paulo Estivallet de Mesquita, subsecretário-geral para América Latina e Caribe e responsável pelas tratativas em torno da visita de Macri, um dos principais temas discutidos será a redução das barreiras do país vizinho em relação aos automóveis e ao açúcar brasileiros.

Discursos do Fed
Bastante acompanhado pelo mercado, os discursos de integrantes do Federal Reserve podem agitar o mercado caso eles façam algum comentário mais direto sobre a política monetária dos EUA. Por enquanto, a autoridade projeta três altas de juros para este mês. Na quinta-feira à tarde, James Bullard (St. Louis) e Charles Evans (Chicago), discursam, enquanto Stanley Fischer (Diretor do Fed) fala no sábado (11).

China
Ainda sem datas e horários confirmados, diversos indicadores serão divulgados na China na próxima semana. Entre eles estão o Balanço em Conta Corrente do país, além de dados de crédito e a balança comercial, com detalhes sobre as importações e exportações do gigante asiático em janeiro.

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