Análise

Com mais de 40% de aprovação, Luciano Huck é um candidato viável para as próximas eleições?

Apresentador tem mostrado disposição em participar do próximo debate político, mas sinalizações até o momento não passam de especulações

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SÃO PAULO – No aquecimento do caldeirão eleitoral da próxima disputa presidencial, muitos nomes dentro e fora da política têm sido ventilados como potenciais candidatos. Do lado dos outsiders, a um ano do pleito, crescem as menções ao apresentador da TV Globo e empresário Luciano Huck, ainda sem filiação partidária, na medida em que o descontentamento generalizado com a atuação das figuras tradicionais favorece novas apostas dos eleitores.

De acordo com pesquisa Ibope divulgada no último fim de semana, as intenções de voto em Huck variam de 5% a 8% nos dois cenários em que o nome do apresentador aparece — patamar considerado elevado para quem não iniciou campanha e nunca disputou uma eleição –, empatado tecnicamente com figuras como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a ex-senadora Marina Silva, na terceira posição.

No último levantamento da Ipsos Public Affairs em que a popularidade do apresentador é avaliada, 43% dos entrevistados disseram aprová-lo. A taxa ficou bem distribuída entre as classes e níveis de escolaridade, mas apresentou maior concentração nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. No mesmo sentido, pesquisa mais recente feita pelo DataPoder360 indica que 21% dos eleitores votariam nele “com certeza” e 19% poderiam apoiá-lo.

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Fonte: Ipsos Public Affairs (setembro)

Apesar dos números positivos e do flerte com membros da cúpula do Democratas, partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), ainda há dúvidas sobre a real possibilidade de Luciano Huck ser um dos candidatos à presidência da República.

Para o analista político Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores, as especulações têm aumentado em torno do nome do outsider, assim como a disposição por ele apresentada em participar mais ativamente do próximo debate eleitoral. Contudo, o especialista sustenta que não foi dada nenhuma indicação suficientemente clara sobre possível candidatura de Huck. “Gente bem informada nos círculos políticos está começando a levar [a candidatura de Huck] a sério. Nas pesquisas, ele aprece com percentual razoável para quem não é candidato. Porém, trata-se apenas de especulação por enquanto. A possibilidade existe, mas está longe de ser fato consumado”, observou em entrevista por telefone ao InfoMoney. Ribeiro esteve na última edição do programa Conexão Brasília, transmitido às sextas-feiras pela InfoMoneyTV. [Clique aqui para ver como foi].

Na avaliação de Ribeiro, o aumento nas especulações sobre a candidatura do apresentador surge na esteira do esvaziamento do nome do prefeito de São Paulo, João Doria, na corrida presidencial. Ele vislumbra um grande espaço para candidatos que se apresentem como novidade, uma vez que hoje há uma parcela significativa do eleitorado em busca deste perfil. Além disso, Huck conta com a vantagem de largar com um elevado nível de conhecimento entre os eleitores e boa penetração nas camadas mais populares, além da possibilidade de ocupar um espaço alternativo à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Jair Bolsonaro que as pesquisas sinalizam, mais ao centro do espectro ideológico.

[Huck] mostrou disposição em participar da política no próximo ano, mas acho que o custo financeiro, pessoal e reputacional para entrar como candidato é alto. Se for candidato, acho que tem espaço para crescer um pouco além dos pecentuais que tem hoje, mas vai depender muito de sua capacidade de angariar apoio político efetivo das forças tradicionais”, afirmou o analista da MCM.

Este, porém, pode ser um dos grandes dilemas dos candidatos outsiders: buscar alianças com setores tradicionais para construir uma candidatura competitiva ou focar no discurso da novidade na política? “Os outsiders terão como dificuldade estrutura de campanha. Para terem tempo de rádio e televisão e estrutura para levar a campanha por todo o país, eles precisam compor com os tradicionais, o que pode ameaçar suas reputações”, concluiu.

O cientista político Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos, adota postura cautelosa quando fala em chances dos candidatos a um ano das eleições. Em entrevista ao programa Conexão Brasília de 29 de setembro, pela InfoMoneyTV, o especialista preferiu chamar atenção para o fato de muitos outsiders ainda não serem muito associados à imagem de reais candidatos à presidência da República ainda a um ano do pleito. “O grande ponto é como esses nomes menos associados à política serão percebidos em relação à capacidade de gerenciar o país, de fazer o país sair da crise, e o envolvimento ou não em relação a casos de corrupção”, observou.