Aumentaram as chances

Com Lula ou sem Lula, Dilma só se deteriora e Eurasia eleva chance de saída para 65%

"Enquanto o ex-presidente iria trazer carisma e habilidade política para um governo ineficaz, seus passivos são provavelmente tão grandes quanto seus ativos", afirma a consultoria

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SÃO PAULO – Em meio a um cenário de tantas incertezas e com a crise política se desenvolvendo mais rápido do que o esperado, a consultoria de risco político Eurasia Group, uma das mais importantes do mundo, elevou novamente a chance de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Desta vez, de 55% para 65%. Na segunda-feira, a Eurasia já havia elevado de 40% para 55% a chance de Dilma não completar o mandato. 

No relatório, a consultoria avaliou que a crise política chegou a um ponto de inflexão na noite de quinta-feira, quando foi pedida a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público de São Paulo. “Embora exista uma chance razoável do pedido do procurador ser negado, a decisão desencadeou uma reação rápida do governo Dilma e do PT. Muitos líderes do partido veem Lula agora se tornando ministro como a última linha de defesa, tanto para ele quanto para o governo”, afirmam os analistas políticos da consultoria.

A Eurasia afirma que mantinha uma postura cética sobre se Lula aceitaria o convite para ocupar o cargo mas, após os recentes eventos, ele pode “tentar a sorte”. O ex-presidente ganharia, em primeiro lugar, tempo, já que teria foro privilegiado. Por outro lado, a sua esposa, Marisa Letícia, e seu filho, Fábio Luís da Silva, seriam julgados na Justiça comum. Ele deve tomar uma decisão no início da próxima semana.

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Porém, afirma a consultoria, com ou sem Lula, a situação de Dilma vai se deteriorando cada vez mais. “Enquanto o ex-presidente iria trazer carisma e habilidade política para um governo ineficaz, seus passivos são provavelmente tão grandes quanto seus ativos”.

Isso porque a nomeação de Lula poderia ser interpretada como uma tentativa da presidente de obstruir a justiça. Mas o mais importante disso é que a nomeação de Lula seria galvanizar a esquerda ainda mais, fazendo com que episódios de violência política se tornassem uma possibilidade real nas próximas semanas. “Este processo vai continuar a prejudicar o relacionamento do governo com os partidos de centro, o PMDB particularmente, independentemente do melhor relacionamento de Lula com estes grupos. Apesar de suas habilidades políticas, um ambiente mais polarizado tornará Lula e o governo incapazes de uma triangulação entre a esquerda e o centro”.

Neste cenário, a Operação Lava Jato e as manifestações populares só devem agravar essa dinâmica, aumentando as chances de uma saída do PMDB que pesa contra a balança do governo. A Eurasia cita a notícia da Folha de que Delcídio do Amaral afirmou em delação que Michel Temer “patrocinou” indicação de diretor condenado por corrupção, Jorge Zelada, para o conselho da Petrobras. Com possíveis evidências contra líderes do PMDB podendo vir à tona, o partido pode ficar menos suscetível a defender o governo, afirma a consultoria.

“Neste caso, os líderes do partido começam a ver o impeachment de Dilma seguido de um governo de unidade nacional liderado pelo PMDB e PSDB como uma melhor alternativa para o partido”.

Mais no curto prazo, os protestos do domingo e convenção do PMDB são eventos considerados chave. “Um rompimento formal do PMDB com o governo é improvável, mas o partido deve tentar se distanciar”. Enquanto isso, a situação de violência entre manifestantes e defensores do governo aumentará a percepção de que Dilma perdeu o controle da situação, afirma a consultoria.

“Continuamos acreditando que a probabilidade de o TSE convocar novas eleições é relativamente alta, mesmo se o Congresso decidir pelo impeachment”, afirmam, destacando que as acusações recentes contra o PMDB são fortes indicações dessa possibilidade. 

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