Com foco pós-eleição, banco avalia possível gabinete e agenda de gestão Dilma

Analistas do JPMorgan acreditam que Antônio Palloci chefiará os ministérios e que macroeconomia seguirá com "mais do mesmo"

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SÃO PAULO – Já que a corrida presidencial indica que Dilma Rousseff (PT) chegará à Presidência com uma larga vantagem, as atenções do banco JPMorgan voltam-se ao período pós-eleitoral. O banco avalia as mudanças esperadas no gabinete e na agenda da ex-ministra da Casa Civil.

Gabinete
Considerando-se a pouca experiência da candidata em cargos públicos, a composição de seus ministérios dirá muito sobre suas intenções de governo, segundo afirmam os analistas Emy Shayo Cherman e Fabio Akira, em relatório.

• Chefe de Gabinete
Antônio Palocci é o nome mais cotado pela imprensa para assumir a chefia de gabinete, onde poderia coordenar a ação do governo, formular políticas públicas e estabelecer laços entre o governo, a imprensa, o setor privado e o poder legislativo.

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“Nós acreditamos que desvios nesta expectativa podem desapontar o mercado, já que, ao menos até agora, Palocci e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, são os únicos formuladores de políticas que o mercado conhece bem”, dizem Cherman e Akira.

• Ministro das Finanças
Luciano Coutinho, o atual presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), lidera as expectativas para ficar no ministério das Finanças. A única outra alternativa seria Guido Mantega, que já ocupa o posto.

• Banco Central
Henrique Meirelles deve continuar sobre o comando da instituição. Caso decida sair, sua indicação pesará na escolha de seu sucessor. Assim, a principal possibilidade seria Alexandre Tombini, o atual diretor de políticas econômicas do BC.

Agenda
Embora tenda a seguir as políticas do atual governo, a agenda pode trazer avanços ao mercado, caso seja bem formulada. Sua implementação, porém, pode ficar aquém do planejado, alerta o JPMorgan.

Os riscos da nova agenda envolvem a microeconomia, como a introdução de regulação no setor minerador, com provável aumento de royalties para o minério de ferro. Inspiram cautela, na visão do JPMorgan, também a renovação de concessões e o plano nacional de banda larga, que pode reativar a Telebras.

• Mudanças 
É provável que o governo Dilma imponha metas fiscais mais rígidas e até limites de gastos ao gabinetes, segundo o JPMorgan. A candidata já declarou que deseja reduzir a relação entre dívida líquida e PIB (Produto Interno Bruto) de 41,7% este ano para 30% em 2014.

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Também serão consideradas medidas para elevar o financiamento privado a obras de infraestrutura, possivelmente através de intervenções no mercado de capitais, como a não cobrança de taxas em debêntures de longo prazo. Com o mesmo objetivo, o governo poderia criar um fundo de R$ 15 bilhões com recursos privados e do BNDES.

São cogitadas ainda reformas tributárias, como a unificação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e aumento no tempo de contribuição para a aposentadoria.