AO VIVO Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Com Barack Obama, EUA caminham para mais estímulos fiscais

Société Générale define possíveis medidas econômicas a serem adotadas pelo novo governo, com mercado ansioso por transição suave

SÃO PAULO – Passadas as eleições nos Estados Unidos, crescem as expectativas do mercado em relação às medidas econômicas concretas que Barack Obama e o novo Congresso de maioria democrata deverão adotar para combater a grave crise em que se insere o país.

Como ressaltam os analistas do Société Générale, em relatório produzido nesta quarta-feira (5), nestes momentos de grande incerteza e nervosismo, será fundamental um processo suave de transição no gerenciamento da economia do país. Neste sentido, a nomeação do substituto de Henry Paulson como secretário do Tesouro deverá ocorrer rapidamente.

Novos estímulos

Também é esperado que a equipe do novo presidente eleito divulgue suas propostas para a alocação dos recursos remanescentes do programa TARP – restam cerca de US$ 450 bilhões. Além da compra de ativos problemáticos, o dinheiro foi em parte utilizado para capitalizar as instituições financeiras em troca de participações acionárias.

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Mas a maior expectativa dos analistas do Société Générale repousa sobre um novo pacote de estímulo fiscal à economia dos EUA. “O próximo programa de estímulos deve ser de, ao menos, US$ 300 bilhões”, aproximadamente o dobro do programa realizado no início de 2008, caracterizado pela transferência de recursos do governo diretamente aos consumidores por meio de cheques.

“Infelizmente, a vasta maioria dos recursos foi poupado, oferecendo pouca ajuda para a economia real”, afirmam os analistas. Desta vez, os gastos devem ser feitos pelo governo principalmente em obras de infra-estrutura, além de benefícios para desempregados e recursos para estados e governos locais penalizados pela queda na arrecadação.

Possíveis caminhos

Em seu programa de governo, Barack Obama propõe a criação de um banco de investimentos para investimentos em infra-estrutura de US$ 60 bilhões, além de um fundo de ajuda para estados de até US$ 50 bilhões.

No entanto, é importante observar os impactos de ações como estas sobre as contas públicas. Os EUA já convivem com um elevado déficit fiscal – que, segundo projeções do Tesouro, elevará a necessidade de financiamento do país para US$ 1,4 trilhão em 2009.

Grande parte destes recursos, no entanto, será utilizada na compra de ativos de instituições financeiras e pode ser considerado como um investimento feito pelos contribuintes. Ainda assim, os investimentos em infra-estrutura, por exemplo, podem consumir muitos recursos do Estado e alargar seu déficit fiscal. Com a desaceleração da atividade econômica, as receitas do governo devem diminuir – o que trará maior demanda por recursos emprestados.

Crowding out

Ademais, segundo os analistas do Société Générale, um dos maiores riscos trazidos pela elevação dos gastos públicos é o de reduzir os investimentos privados, dado o possível e conseqüente aumento nos juros, tornando menos atraente a alocação dos recursos de investidores em empreendimentos de maior risco.

O próximo pacote de estímulos poderá elevar a dívida pública dos EUA para patamar próximo a 50% do PIB. Quanto a uma possível elevação no rendimento dos Treasuries, o Société Générale acredita que “a falta de investimentos privados e emissão de dívida privada serão fatores mitigantes”, mantendo o preço dos títulos em alta.