Com ajuda de resultados corporativos, Planner vê Ibovespa nos 85 mil pontos

Segundo a corretora, o cenário doméstico já é conhecido, mas os lucros das empresas deverão confirmar a alta da bolsa em 2010

SÃO PAULO – Neste ano, as perspectivas indicam um favorável cenário para a bolsa, com analistas da Planner Corretora projetando 85 mil pontos para o Ibovespa e antecipando um cenário doméstico que já tem suas principais características estruturadas e conhecidas. Porém, o que pode ajudar na melhora da performance do índice são os resultados corporativos nos próximos períodos.

Atualmente, o mercado espera a volta do aperto monetário – ou seja, uma alta na taxa Selic – com o propósito de segurar a inflação nos próximos anos. Porém, a economia aguarda um forte crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), uma inflação dentro da meta do Banco Central e uma variação cambial que não deve assustar – segundo análise da Planner, este é o cenário mais provável de 2010.

“No Brasil, os lucros das empresas devem mostrar evoluções consideráveis nos próximos trimestres a ponto de termos confirmadas nossas expectativas de 85 mil pontos [do Ibovespa] para dezembro de 2010 e justificar múltiplos permanentemente atrativos”, afirma a equipe da Planner.

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Porém, ainda existe um entrave em relação às favoráveis perspectivas para o índice em 2010. Em algum momento, mais precisamente no segundo semestre dentro das projeções da corretora, os governos deverão retirar os estímulos fiscais e monetários, o que deve gerar um aumento na inflação e um crescimento econômico mais tímido – gerando volatilidade no mercado.

Eleições e contas públicas
Mas as eleições presidenciais e a questão das contas públicas podem “guardar as maiores atenções”, comenta a equipe.

Para eles, as eleições não devem ser problemáticas, pois tanto Dilma Rousseff quanto José Serra “tem plenas condições de governabilidade”.

Mas em relação ao atual cenário fiscal, os analistas comentam que este sofre “rápida deterioração”. Como lembram os analistas, “o governo deu continuidade a uma série de medidas de desonerações fiscais e promoveu uma política de reajuste de salários. Promoveu ainda uma expansão significativa da dívida pública / PIB, através de concessões de crédito da União a instituições financeiras oficiais, dando continuidade às medidas ‘anticíclicas’ mesmo com a retomada da economia estando evidente”.

Inflação, Selic e câmbio
Ainda de acordo com a equipe da Planner, no que diz respeito às expectativas para a inflação, os preços no atacado vão subir, mas sem importantes reajustes na indústria. “Apesar do ciclo de ajustes nos estoques já terem acabado, há ainda capacidade ociosa que não será ocupada de forma tão rápida a ponto de exercer pressão nos preços”, afirmam.

Com isto, é esperado que o Banco Central aumente a taxa de juros somente no segundo semestre deste ano, pois ainda há grande capacidade ociosa das indústrias, o que deve compensar a pressão proveniente do segmento de serviços.

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Em 2010, segundo as previsões da Planner, o Brasil continuará a receber investimentos estrangeiros, devido à atratividade nacional, além disso a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não deve intimidar os investimentos de longo prazo.

“Apesar dessa expectativa, não esperamos movimentos de grandes valorizações do real, exceto quanto ao desenrolar das campanhas eleitorais dos candidatos à presidente da república, seus programas de governo e discursos. Por conta disso, esperamos maior volatilidade, com consequente reflexo nos mercados”. Porém, a economia doméstica está bem e, segundo os analistas, “isso, por si só, já traz pressão de valorização no real”.

Setores em destaque
Segundo os analistas, o mercado deverá apresentar sinais “modestos”, pois em 2009 houve a antecipação da recuperação econômica que era esperada para este ano. Com isto, segundo a equipe, uma performance mais robusta do Ibovespa estará condicionada aos lucros das empresas domésticas.

Para eles, 2010 será um ano de forte crescimento econômico, o que beneficiará diversos setores, mas as melhores expectativas da Planner estão ligadas a setores relacionados à infraestrutura (dado os eventos esportivos que acontecerão no País), já que estes “demandarão fortes investimentos que não podem demorar a serem iniciados”.

Além disso, a corretora aposta em um crescimento de setores como siderurgia, bancos, petróleo, comércio varejista e construção civil. Os destaques da Planner nestes setores em 2010, são: OGX (OGXL3), LLX (LLXL3), OHL Brasil (OHLB3), Triunfo Participações (TPIS3), Pão de Açúcar (PCAR5), Banco Panamericano (BPNM4), Gerdau (GGBR4), GOL (GOLL4) e Cyrela (CYRE3).