Com 2º turno marcado, qual será a influência da política sobre os mercados?

Analista alerta para possível "escalada de promessas com custos fiscais"; Cesp sobe após vitória de Alckmin em São Paulo

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SÃO PAULO – Os brasileiros retornarão às suas seções eleitorais em 31 de outubro para, mais uma vez, expressarem sua preferência sobre quem deve ocupar a liderança do Palácio do Planalto. A candidata petista Dilma Rousseff somou 46,90% dos votos do eleitorado e, com isso, vai ao segundo turno com José Serra (PSDB), que obteve 32,61%.

O resultado foi, de certa forma, surpreendente. Como comenta Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, “o mais esperado era que Dilma vencesse já no primeiro turno, ainda que sua popularidade viesse caindo e um segundo pleito não fosse totalmente descartado”.

Outra grande surpresa das eleições realizadas no último domingo (3) foi o ótimo desempenho mostrado pela candidata do PV (Partido Verde), Marina Silva, que superou expectativas ao ultrapassar 19 milhões de votos conquistados, com quase 20% de todos os votos válidos.

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O fator “Marina Silva”
De fato, Marina Silva já vem sendo apontada por analistas e cientistas políticos como o fator decisivo no segundo turno das eleições presidenciais, uma espécie de “fiel da balança” – a expectativa é a de que a posição de seu eleitorado de mais de 19 milhões de votos decida o resultado do novo pleito.

Ainda não se sabe qual posição oficial Marina irá tomar. Para Ricardo Ribeiro, “o mais provável é que ela se mantenha neutra, mas é importante destacar que muitas alas do PV pendem mais à direita”. De fato, especula-se nos bastidores da política que o presidente do partido, José Luiz Penna, já estaria pressionando Marina a apoiar o tucano José Serra, uma vez que o PV e o PSDB já são aliados em diversos estados do País, como em São Paulo e no Rio de Janeiro.

No entanto, o crescente tom de críticas feita por Marina a Serra, como no último debate promovido pela TV Globo, quando disse que o tucano “havia apelado ao vale-tudo eleitoral”, torna tal possibilidade pouco provável. “Temos que ver o desenrolar dos próximos dias”, diz Ribeiro. Em seu discurso na noite passada, Marina afirmou que só irá tomar uma posição a respeito do assunto após consultas e debates internos.

Campanha mais acirrada
Enquanto o apoio de Marina no segundo turno segue uma incógnita, um acaloramento das discussões é quase dado como certo. “O novo pleito promete ser uma campanha dura. Rousseff será forçada a entrar em confronto direto com Serra, algo que ambos vêm evitando até o momento”, diz o jornal Financial Times, em sua cobertura sobre as eleições brasileiras.

Na visão de Ribeiro, os dois candidatos devem intensificar suas campanhas e críticas, a fim de conquistar o eleitorado de Marina. “O importante é atentar para a possibilidade de uma escalada das promessas, como aumento do bolsa-família, etc. Estas medidas teriam impacto fiscal sobre a economia e podem, portanto, mexer com o mercado nestas próximas semanas”, prevê o analista.

Quanto o assunto poderia mexer com o humor dos investidores, “é muito difícil prever”. Mas para Ribeiro, o mercado certamente estará mais atento aos debates deste segundo turno do que aos do primeiro, tidos como um “não-evento”.

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Palavra de ordem: continuidade
Ganhe Dilma Rousseff ou José Serra, a expectativa do mercado para a política econômica do governo nos próximos quatro anos pouco varia. “A palavra de ordem deve mesmo ser ‘continuidade’”, comenta Ribeiro. De fato, ambos os candidatos mostraram, no decorrer de suas campanhas, um compromisso de manter as linhas macroeconômicas bem-sucedidas do mandato Lula.

Com isso, a apreensão maior fica para a formação do gabinete do próximo governo. Segundo o banco de investimentos JPMorgan, as atenções maiores concentram-se sobre o período pós-eleitoral, ou seja, a formação da equipe e a agenda que será seguida, com especial destaque à possibilidade de importantes reformas que precisariam ser implementadas no País, como a tributária.

Alckmin em São Paulo
Se em Brasília, uma definição será conquistada somente ao final do mês, em São Paulo, o veredicto já foi dado pelo eleitorado: o candidato tucano Geraldo Alckmin conquistou 50,63% dos votos válidos no estado e, com isso, volta à liderança do Planalto dos Bandeirantes.

Para os analistas do Bank of America Merrill Lynch, o fato é particularmente positivo à Cesp, já que a eleição de Alckmin poderia trazer de volta a possibilidade de um processo de privatização da companhia.