Colunista InfoMoney: Tranquilidade

Nosso País deverá continuar a despertar intenso interesse para os fluxos entrantes, com consequente números auspiciosos para nosso contínuo desenvolvimento

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A vitória de Dilma Rousseff é a garantia de continuidade dos investimentos do atual governo, com ênfase nos projetos de infraestrutura, que devem ser acelerados, acredita boa parte dos empresários de vários setores industriais do País.

A valorização do real, porém, é um dos pontos prementes mais apontados – especialmente pelos empresários rurais ligados à exportação -, mas há pouca expectativa de que a ex-ministra da Casa Civil se mova nessa área com mais rapidez que o atual governo. Ainda no curto prazo, vários empresários mencionam a necessidade urgente de desoneração dos investimentos produtivos. Essa, portanto, será a tônica de pressão das classes produtivas em sua direção.

Suas primeiras falas soaram bem enérgicas na direção da manutenção ferrenha do processo desenvolvimentista, o que é bastante saudável, evidenciando desde já o seu compromisso com um modelo que deu certo. A Bolsa, então, agradece….

“Os agentes econômicos estão confiantes
que a postura econômica [do Brasil]
não se altera substancialmente”

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Como varáveis a serem também levadas em conta, temos que as ações dos mercados nos grandes países em desenvolvimento podem dobrar com os estímulos do Federal Reserve ajudando a levar os múltiplos para níveis de 2008, os mais altos, segundo Dylan Grice, estrategista global do Société Générale SA.

Os investidores colocaram um volume recorde de recursos em fundos de ações de mercados emergentes este ano com o juro básico dos Estados Unidos perto de zero, estimulando a demanda por ativos de maior rendimento no exterior, de acordo com dados da EPFR Global.

O Federal Reserve está preparado para fornecer mais estímulo à economia caso seja necessário, e também está acompanhando as execuções de hipotecas para garantir a integridade do processo, afirmou o presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, durante discurso na última semana. Segundo ele, as autoridades do banco central norte-americano “têm demonstrado seu compromisso em agir para baixar as taxas de juros se as condições econômicas justificarem”.

O índice MSCI BRIC com ações do Brasil, Rússia, Índia e China valorizou 164% desde o nível mínimo registrado em 2008 e superou o ganho de 40% do Índice Standard & Poor’s 500. “Os múltiplos dos mercados emergentes podem crescer ainda mais antes de serem considerados seriamente alongados.” As ações dos mercados do bloco chamado de BRIC podem dobrar a partir dos preços atuais se os múltiplos voltarem aos níveis de 2008, quando eles eram maiores que o S&P 500, disse Grice.

Complementando tais assertivas, a frase da semana que manteve as atenções voltadas para nosso mercado está bem definida a seguir: “Economias centrais terão crescimento anêmico, enquanto emergentes continuarão em melhor ritmo”, foi o que afirmou Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a recente crise global.

Revelando suas expectativas para o desempenho do mercado acionário doméstico ao final deste ano, o Grupo InterBolsa prevê um rali do Ibovespa nos próximos dois meses. “Acreditamos (…) que, definido o quadro eleitoral, e com a demanda sazonal de fim do ano no Hemisfério Norte, com as medidas de afrouxamento monetário do Fed (Federal Reserve) bem sucedidas, o Ibovespa experimentará um rali de fim de ano”, comentam os analistas da corretora. Para eles, o principal benchmark da bolsa de valores de São Paulo deverá fechar o ano acima de 74.000 pontos. “Baseado num ciclo virtuoso de crescimento da economia brasileira neste ano, assim como contingências do ambiente internacional, achamos que o Ibovespa possui espaço para crescer a algo em torno de 74,2 mil pontos ao fim deste ano”, comentam os analistas.

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Como único senão desta equação, temos a seguinte dúvida que pode bem nos perturbar… O governo brasileiro pode elevar o Imposto Sobre Operações Financeiras para as compras de ações por investidores estrangeiros. O objetivo seria conter a apreciação do real antes da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, em 1 de janeiro de 2011, disse a Raymond James & Associates Inc. Como sabemos, a alíquota do IOF para as compras no mercado de renda variável está em 2 por cento desde outubro do ano passado, enquanto a taxação para a renda fixa foi elevada duas vezes no mês passado, para 6 por cento.

Mesmo assim, os agentes econômicos estão confiantes que a postura econômica não se altera substancialmente e que como participante global, nosso País deverá continuar a despertar intenso interesse para os fluxos entrantes, com consequente números auspiciosos para nosso contínuo desenvolvimento.

 

Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney.
gil.deschatre@infomoney.com.br