País voltará a ser bom

Colunista do FT fala para os investidores: tenham paciência com o Brasil

Michael Hasentab, da Templeton Global Fund, destaca que o Brasil é uma boa aposta de longo prazo com a perspectiva de volta da estabilidade política

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SÃO PAULO – Em artigo para o Financial TimesMichael Hasenstab, vice-presidente executivo, gerente de portfólio e diretor de investimentos da Templeton Global Fund, destacou que o Brasil pode voltar a ser uma boa aposta de longo prazo com a volta da estabilidade política, destacando: “Paciência é necessária para o Brasil voltar a ser bom novamente”. 

Hasenstab ressalta que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro atraíram o interesse global para o Brasil em agosto, mas o país e o restante da América do Sul têm sido o foco dos investidores no ano todo. Isso porque os investidores internacionais estão em busca de rendimentos, em meio a um mundo desenvolvido de baixa taxa de juros. 

Porém, afirma ele, é um grande erro colocar esses países no mesmo grupo. Neste sentido, Hasenstab destaca os desafios para identificar as oportunidades mais atraentes, sendo que muitos dos investimentos deles não são escolhas óbvias. Neste sentido, para investir nos países emergentes, ele destaca cinco pontos principais: i) o quanto ele aprendeu com as crises passadas; ii) a combinação de suas políticas; iii) as reformas estruturais para aumentar a produtividade; iv) a demanda interna e v) a capacidade de resistir a choques externos. 

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Neste sentido, o Brasil, por exemplo, é conhecido por ser um mercado vulnerável devido à crise de commodities e pela corrupção em curso em meio à agitação política. Porém, ele destaca que o País está preparado para uma recuperação potencialmente significativa a longo prazo. “Sua pontuação atual é baixa, mas a sua pontuação numa projeção do futuro conta uma história diferente”, afirma o colunista.

Acreditamos que o país tem aprendido as lições da crise mais recente, que trouxe para dentro a importância de ter uma política fiscal sustentável. “Já houve a adoção de uma taxa de câmbio flexível, o Brasil possui fortes reservas cambiais e o governo busca impor limite da dívida de curto prazo. Isso também se reflete na melhoria da capacidade de resistência do país a choques externos, sendo que o maior fator negativo ainda é a dependência de matérias-primas, que corresponde a 60% das exportações”.

Talvez não seja surpresa, dada a profunda recessão e instabilidade política do Brasil, que há muito trabalho necessário em termos de melhor combinação de políticas, reformas estruturais e demanda doméstica, diz ele. “No entanto, há sinais de que o momento está sendo de virada, com a política monetária já atuando para manter as expectativas de inflação sob controle, e os níveis excessivos de empréstimos subsidiados pelo governo sendo cortados. Uma vez que se retorne à estabilidade política, o governo vai ter poderes para fazer ainda mais”, afirma Hasenstab.

 A reforma estrutural também deve se acelerar, destaca, “com a classe média no Brasil já deixando claro que quer uma maior transparência e um quadro de política econômica que podem tanto aumentar os padrões de vida quanto melhorar o ambiente para as empresas. Isto irá revelar um poderoso incentivo para os líderes políticos do país”, prossegue.

Além do Brasil, Hasenstab é otimista com a Colômbia, mas bastante pessimista com a Venezuela. “Estas três situações bastante diferentes na América do Sul salientam a nossa visão de longa data de que é vital separar as economias fortes com deficiências temporárias daquelas com problemas duradouros”, conclui.