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Com experiência

Collor diz que se instalado o processo, impeachment de Dilma será irreversível

Para Collor, a presidente tem errado de forma contínua e a decisão de cortar 10 ministérios é um dos maiores equívocos do governo

SÃO PAULO – Muito tem se falado sobre uma possível abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e opiniões em todos os sentidos estão sendo feitas. Em entrevista ao blog do Fernando Rodrigues, do UOL, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que sofreu um impeachment, deu sua opinião sobre o atual cenário da petista.

Segundo ele, o Brasil passa por uma “crise política sem precedentes” e caso um eventual processo de impeachment contra Dilma começar a tramitar, o afastamento dela será “irreversível”. “Esse filme eu já vi”, disse o ex-presidente para descrever a “angústia” que está sentindo ao acompanhar a deterioração do apoio político ao Palácio do Planalto. “A presidente está privada de instrumentos essenciais de coordenação, de concertação política para sair da crise em que ela colocou seu governo”, afirmou.

Para Collor, a presidente tem errado de forma contínua e a decisão de cortar 10 ministérios é um dos maiores equívocos do governo. Segundo ele, esta é uma ação “tardia” e sem o efeito simbólico positivo, mas cuja consequência será “catastrófica”. O ex-presidente diz que esta decisão produzirá “uma ebulição política na base, algumas centenas de graus centígrados acima do que já está”.

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Ele afirma ter errado em sua avaliação e que Dilma não está preparada para ser presidente, mas mesmo assim, diz que não torce contra ela. “Talvez em função de um desejo íntimo meu: que não ocorra com nenhum presidente o que ocorreu comigo”, disse. Porém, Collor ressalta que seria necessário “acreditar em milagres para achar que ainda não chegamos a um ponto de não retorno”.

O senador afirma que não faz muitas recomendações para Dilma, exceto que atue nos bastidores para tentar construir uma aliança política ampla. O ex-presidente disse que sugeriu à atual comandante do País pedir desculpas à população durante as manifestações de março.

“Ela perguntou: ‘Desculpas por quê?’. E eu disse: porque há 3 meses ou 4 meses nós estávamos nas ruas dizendo que a energia elétrica não ia subir nem o custo da energia elétrica para as famílias, que a inflação estava sob controle, que os juros não iam subir, que a gasolina não ia subir. E o que nós estávamos vendo era completamente diferente”, explicou.

Apesar de fazer este alerta, o senador disse que Dilma ficou apenas “rabiscando num papel” e que nem agradeceu pelas palavras. “Nem um muito obrigado. Ela ouviu. Ouviu, mas não escutou”.