Movimentações suspeitas

Coaf apura movimentações milionárias e incompatíveis de Lula e 3 ex-ministros, diz Época

Contas ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ex-ministros Antonio Palocci, Erenice Guerra e Fernando Pimentel movimentaram cerca de meio bilhão de reais, informa a revista

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), agência ligada ao Ministério da Fazenda que é encarregada de combater a lavagem de dinheiro no Brasil, apontou que contas ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ex-ministros Antonio Palocci, Erenice Guerra e Fernando Pimentel movimentaram cerca de meio bilhão de reais. As informações foram publicadas pela revista “Época” na edição desta semana.

A publicação aponta que, segundo o documento do Coaf, houve a investigação de movimentações bancárias e aplicações financeiras de 103 pessoas e 188 empresas ligadas aos quatro petistas.

Somente as transações envolvendo os quatro petistas representam cerca de R$ 300 milhões. Palocci, por exemplo, movimentou na conta-corrente de sua empresa de consultoria (Projeto) a quantia de R$ 185 milhões, sendo outros R$ 53 milhões nas contas de terceiros. Um dos clientes da Projeto está a Caoa, montadora dos veículos coreanos Hyundai, suspeita de comprar a aprovação de medida provisória que a beneficiaria.

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Além disso, informa a publicação, teriam passado pelas contas da empresa de palestras de Lula, a LILS, cerca de R$ 52,3 milhões. Além disso, há duas operações que o Coaf considera suspeitas, por envolver “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”. Trata-se de operações de compra de dois títulos de previdência privada em maio e junho de 2014, que totalizam R$ 6,2 milhões.

Já Erenice Guerra foi secretária-executiva da então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff e assumiu o cargo de ministra quando Dilma foi concorrer à presidência, em 2010. De acordo com a revista, o escritório de Erenice recebeu R$ 12 milhões entre agosto de 2011 e abril de 2015.

No caso de Pimentel, houve depósitos em dinheiro vivo dois meses após a eleição de 2014, em que ele foi eleito governador de Minas Gerais,e saque de R$ 150 mil em dinheiro vivo em um banco de Belo Horizonte. Além disso, duas empresas ligadas a sua família terem movimentado quase R$ 2,5 milhões.

Segundo a Época, procurada, a assessoria de imprensa do Instituto Lula não respondeu objetivamente às questões feitas pela revista e os advogados do ex-presidente não iriam responder antes e ter acesso aos documentos. Já o advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que “não há relação alguma entre o serviço prestado pela Projeto para a Caoa e a aprovação de medidas provisórias”. Erenice disse que não fala com a imprensa e os advogados de Pimentel afirmaram que o “governador apresentará todos os esclarecimentos assim que as informações forem disponibilizadas nos autos do inquérito e que desconhecem a origem e o conteúdo dos documentos”.

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