Classes C, D e E temem principalmente a volta da inflação como efeito da crise

Pesquisa do Ibope mostra que classes populares temem também o desemprego e a inadimplência nos financiamentos

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SÃO PAULO – Os temores dos grandes centros financeiros ao redor do mundo com relação à crise são conhecidos, noticiados, repercutidos. As preocupações das classes populares, por outro lado, ainda permanecem anônimas.

Em certa medida, muitas delas são semelhantes às dos protagonistas na área das finanças, dos governos, e das classes de maior renda. Dentre as preocupações, a principal está relacionada à volta da inflação.

Medo da inflação

De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, encomendada pela agência de publicidade 141 Soho Square, o retorno do aumento generalizado de preços é o maior medo, em relação à crise, de 35% dos entrevistados, pertencentes às classes C, D e E.

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Em seguida, com 30% das respostas, vem o temor quanto ao aumento do preço dos alimentos. Vale lembrar que, quanto mais baixa a renda, maior é a parcela do orçamento das famílias que é destinada à alimentação. Logo, uma inflação sobre os produtos alimentícios tem impacto maior sobre as classes populares do que sobre as demais.

Outro medo relacionado aos efeitos da crise no Brasil é o de perder o emprego. Dos participantes, 20% afirmaram temer que a crise traga consigo uma onda de desemprego. Junto com esta preocupação, vem a de não conseguir honrar os compromissos financeiros: 13% dos entrevistados responderam que têm medo de não conseguirem pagar as prestações que devem. Apenas 2% alegou não saber ou não ter nenhum receio.

Confiança nos líderes

Uma das possíveis explicações para os receios das classes C, D e E é a percepção que elas têm quanto ao preparo do governo brasileiro para enfrentar as dificuldades econômicas resultantes da crise. Dentre os entrevistados pelo Ibope, 43% acreditam que o governo está bem preparado, mas terá dificuldades para enfrentar a crise.

Outros 38% afirmam que o governo não está preparado para lidar com os problemas que devem abater a economia do País. Apenas 16% dos participantes estão plenamente confiantes na capacidade dos governantes para administrar os problemas da economia.