Sub-zero

Chance de Dilma reverter o impeachment é “abaixo de zero”, diz Forbes

"Se ela não consegue convencer o seu próprio partido para votar a seu favor, como ela convencerá seus antigos aliados a votarem a favor dela em 31 de agosto?", questiona colunista

SÃO PAULO – A fase final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff começou nesta quinta-feira (25). E a avaliação é de um ambiente nada favorável para a petista, percepção esta compartilhada pela imprensa internacional. 

O colunista da Forbes para América Latina Kenneth Rapoza destaca que se há alguma coisa com chance abaixo de zero de ocorrer, é a chance de Dilma reverter o processo de impeachment no Senado. Ele ressalta que a petista perdeu o apoio de seu próprio partido, uma vez que a cúpula da legenda reprovou por 14 votos a 2 uma resolução sobre a proposta da presidente afastada sobre novas eleições. “Se ela não consegue convencer o seu próprio partido para votar a seu favor, como ela convencerá seus antigos aliados a votarem a favor dela em 31 de agosto?”, questiona ele.

Rapoza ressalta que a proposta de novas eleições foi encampada por Dilma em sua carta ao Senado e à população para tentar reverter o impeachment. “Cerca de 60% dos entrevistados dizem que querem novas eleições, mas eleições antecipadas são convocadas somente no caso de fraude eleitoral e o PT sabe disso”, afirma. Neste caso, afirma o colunista, a possibilidade de novas eleições também é quase abaixo de zero. 

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A Forbes ainda ressalta que há outros diversos problemas para o partido que governou o Brasil durante 14 anos; dentre eles, a alta rejeição da população frente ao principal nome do PT, Lula, e as acusações que pesam contra ele sobre tráfico de influência, entre outros. O partido também sofre nas eleições municipais de 2016, afirma Rapoza, ressaltando os números ruins do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nas últimas pesquisas para a reeleição. 

Porém, diz o colunista, ainda há uma nuvem de incerteza que paira tanto Dilma como Temer: o TSE, em meio às acusações de que eles teriam utilizado dinheiro ilícito da Petrobras para financiar a campanha eleitoral de 2014.