Centrão articula projeto para reduzir pena de Bolsonaro para até 3 anos de prisão

Texto em discussão unifica crimes e flexibiliza progressão; proposta enfrenta resistências e depende de aval do Senado e do STF

Marina Verenicz

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro deixa o hospital onde foi submetido a um procedimento cirúrgico de pele, autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, saindo da prisão domiciliar após ter sido condenado pela maioria do Supremo por conspirar para um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, 14 de setembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro deixa o hospital onde foi submetido a um procedimento cirúrgico de pele, autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, saindo da prisão domiciliar após ter sido condenado pela maioria do Supremo por conspirar para um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, 14 de setembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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O centrão discute nos bastidores um projeto que pode alterar de forma significativa o quadro das condenações do 8 de Janeiro, em especial a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado. As informações são da Folha de S. Paulo.

Segundo fontes do jornal, o relator do texto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), tem defendido uma proposta que reduz o tempo de regime fechado de Bolsonaro de 6 anos e 10 meses para cerca de 2 a 3 anos. O movimento envolve negociações diretas com líderes do centrão e busca apoio de ministros da Suprema Corte.

O que muda no projeto

O texto propõe a unificação dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, que hoje são aplicados de forma cumulativa. Além disso, estabelece que a progressão de regime ocorra após o cumprimento de um sexto da pena (e não mais um quarto).

Na prática, isso reduziria não apenas a pena de Bolsonaro, mas também as de cerca de 1.200 pessoas já condenadas ou que firmaram acordo com o Ministério Público por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro de 2023. A estimativa é de que os manifestantes poderiam deixar a prisão após pouco mais de dois anos.

Resistências e articulação política

A votação, que o centrão tenta pautar até a próxima quarta-feira (8), depende de um compromisso público do Senado. Deputados cobram do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), uma sinalização clara de que o texto será apreciado sem repetir o episódio da PEC da Blindagem, que foi aprovada na Câmara, mas arquivada após forte reação popular.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também busca evitar novo desgaste com pautas polêmicas, mas líderes do centrão pressionam para avançar. O tema deve ser definido em reunião entre Motta e Alcolumbre no início da próxima semana.