Publicidade
O centrão discute nos bastidores um projeto que pode alterar de forma significativa o quadro das condenações do 8 de Janeiro, em especial a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado. As informações são da Folha de S. Paulo.
Segundo fontes do jornal, o relator do texto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), tem defendido uma proposta que reduz o tempo de regime fechado de Bolsonaro de 6 anos e 10 meses para cerca de 2 a 3 anos. O movimento envolve negociações diretas com líderes do centrão e busca apoio de ministros da Suprema Corte.

Moraes dá 5 dias para defesa de Bolsonaro responder se dará entrevistas à imprensa
Ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília após condenação de 27 anos no STF por tentativa de golpe

Bolsonaro segue com crises de soluços, que pioram quando ele fala muito, diz médico
Ex-presidente tem recebido visitas de aliados para debater o cenário político; pessoas próximas demonstram preocupação com o quadro de saúde
O que muda no projeto
O texto propõe a unificação dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, que hoje são aplicados de forma cumulativa. Além disso, estabelece que a progressão de regime ocorra após o cumprimento de um sexto da pena (e não mais um quarto).
Na prática, isso reduziria não apenas a pena de Bolsonaro, mas também as de cerca de 1.200 pessoas já condenadas ou que firmaram acordo com o Ministério Público por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro de 2023. A estimativa é de que os manifestantes poderiam deixar a prisão após pouco mais de dois anos.
Resistências e articulação política
A votação, que o centrão tenta pautar até a próxima quarta-feira (8), depende de um compromisso público do Senado. Deputados cobram do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), uma sinalização clara de que o texto será apreciado sem repetir o episódio da PEC da Blindagem, que foi aprovada na Câmara, mas arquivada após forte reação popular.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também busca evitar novo desgaste com pautas polêmicas, mas líderes do centrão pressionam para avançar. O tema deve ser definido em reunião entre Motta e Alcolumbre no início da próxima semana.