Destaques nos jornais

Cenário com Rodrigo Maia presidente ganha cada vez mais forças – e Temer busca reação

Preocupação de Temer com CCJ e novas denúncias no radar enfraquecem ainda mais o peemedebista - e deixam caminho aberto para o presidente da Câmara

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SÃO PAULO – O presidente Michel Temer deve ficar (ainda mais) em alerta se quiser se manter na presidência. Os jornais desta quinta-feira apontam que, enquanto o peemedebista enfrenta dificuldades para a votação da denúncia contra ele na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara dos Deputados, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vê o seu nome ganhar forças – também no mercado.

Conforme ressalta o jornal Valor Econômico, Maia trabalha com dois cenários que passam por manter postura “institucional”, sem a defesa do governo, mas também sem articular sua derrocada.  No primeiro cenário, Temer se salva, Maia continua na presidência da Câmara e disputa a reeleição ao Legislativo. No segundo cenário, Temer é afastado, Rodrigo assume como interino por seis meses, mantém a coalizão de partidos da base e aprova uma reforma mínima da Previdência; este cenário tem ganhado corpo, com maior apoio de empresários e agentes do mercado.

A avaliação feita é  de que o fatiamento em três denúncias levará a agenda do governo e do Congresso a ser unicamente a das investigações e a economia ficará em segundo plano. Se Temer se salvar, no fim de setembro, o calendário já será a eleição de 2018 e não haverá chances de votar as reformas. “O afastamento de Temer e a posse de Maia, mesmo que como interino, daria um fôlego para a coalizão governista tentar conduzir uma agenda econômica mínima para mostrar à sociedade na eleição”, aponta a publicação.

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Já a coluna da Monica Bergamo, da Folha, traz entrevista com o deputado Paulo Teixeira, do PT, dizendo que o quadro mudou e que Maia foi picado pela mosca azul. Segundo a colunista, essa sensação seria compartilhada por parlamentares da base do governo. Maia negou que aspire à presidência da República. De acordo com a coluna Painel, do mesmo jornal, a recomendação do partido do presidente da Câmara é de que Maia aja como um “magistrado”. Ou seja, não agirá nem como advogado nem como algoz de Temer. Enquanto isso, integrantes do PSDB que trabalham para desembarcar do governo começaram a fazer gestos a Maia, diz o jornal. Disseram a aliados do democrata que apoiariam o presidente da Câmara numa eleição indireta, caso Temer caia.

Reação de Temer

Em um cenário em que não se descarta que o relator da denúncia contra Temer na CCJ, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), apresente um parecer técnico  aceitando a denúncia contra o presidente e em meio a dificuldades para obter maioria na Comissão para derrotar a denúncia, o governo Temer tenta reagir. 

Com as dificuldades na CCJ, o distanciamento do presidente da Câmara e os sinais cada vez mais fortes de que a maior parte do PSDB quer desembarcar, Temer aposta todas as fichas de sua sobrevivência na aliança com partidos do centrão, com as mensagens mais fortes vindo de siglas como o PTB, o PP e o Solidariedade. No PR, Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, firmou compromisso de fechar questão no partido contra a aceitação da denúncia caso for necessário, diz a Folha. 

Já o jornal O Estado de S. Paulo destaca que ontem o presidente pediu mobilização de ministros e faz corpo a corpo com deputados contra a aceitação da denúncia, assumindo a negociação. Segundo um dos participantes do encontro ouvidos pela Folha, Temer se disse seguro de que o STF não o condenará por corrupção, mesmo que o plenário da Câmara aprove o prosseguimento da denúncia e ele seja afastado do cargo durante o julgamento. 

O clima em Brasília é desfavorável a Temer mas, segundo a consultoria de risco político Eurasia, Temer é visto em contínuo esforço para aumentar o nível de apoio na Câmara e a administração provavelmente sobreviverá à votação em comitê e plenário. Além disso, aponta, possíveis testemunhos de aliados presos contra Temer provavelmente levariam meses para serem negociados. “Os acontecimentos não alteram as chances de 70% atribuídas pelo Eurasia Group a que Temer conclua seu governo”, ressalta a consultoria. 

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