Cenário 2011: Rosenberg vê bolsas “de lado”, mas leve tendência positiva

Ano deve registrar EUA em ritmo lento de recuperação, Europa ainda enfrentando problemas e China buscando desaceleração

SÃO PAULO – Segundo a analista Thaís Marzola Zara, da Rosenberg & Associados, 2011 marcará o “retorno do crescimento a um patamar mais sustentável” no Brasil, enquanto lá fora, o mercado está “diante de mais um ano de baixo crescimento das economias desenvolvidas e mercado de lado, com leve tendência altista, salpicada por muita volatilidade”.

Inflação e juros
A analista aponta que o ano já começa com tensão inflacionária no País, impulsionada pela demanda interna aquecida e inflação importada, afirmando que apesar de se tratar de um cenário de risco, especialmente para a classe média emergente e a classe E, a inflação não deve comprometer os resultados do ano. 

Dado este cenário, um ciclo de juros já está contratado, com magnitude mínima total de 150 pontos base, havendo ainda sinais de que precisará ser ainda maior.

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Demanda interna aquecida
Thaís acredita ainda que a demanda interna irá se manter aquecida, com o mercado observando um impulso na atividade no primeiro trimestre gerado pela redução dos estoques no natal, bem como ocorrerá em 2010, porém agora em menor escala, lembrando que a economia brasileira deve registrar um ano com “menor crescimento do que 2010, mas, ainda assim, de expansão da demanda acentuada”.

No que se refere a política fiscal a analista lembra da promessa de aumento da austeridade enquanto no campo da política monetária foi ressaltada a fala do ministro da Fazenda, de que fará tudo que estiver a seu alcance para evitar o fortalecimento adicional do real. Neste sentido, vale ressaltar a medida restritiva à posição vendida dos bancos tomada nesta semana pelo Banco Central.

Fome de aliados e riscos políticos do novo governo
Contudo, Thaís lembra dos riscos referentes à capacidade do novo governo de promover a austeridade fiscal e a independência do BC, bem como o desafio político de aliar a contenção de gastos às pressões do PMDB, no qual há o risco de que o governo fique engessado.

Lá fora, o ano promete ser de recuperação lenta e gradual da economia norte-americana. Thaís crê que ainda seja cedo para saber se há um cenário de recuperação efetiva do país, embora dados esparsos sinalizem o estancamento das perdas do mercado de trabalho.

Estímulos e recuperação nos EUA
Nos EUA, o setor público tem se endividado cada vez mais para garantir a implantação de pacotes de auxílio, que já vão se acumulando. Estas medidas, apesar de ajudar a afastar o fantasma da recessão, cria um problema para o futuro, “quando a conta tiver que ser paga”, afirma a analista. Esta questão é valida tanto para os EUA como para todo o mundo desenvolvido, que ao que tudo indica estes países nas “próximas décadas serão testemunhas de um esforço fiscal maior nos países desenvolvidos”, crivou.

A questão dos bancos ainda representa riscos para o mercado norte-americano, uma vez que, apesar das limpezas recentes, ainda há uma parcela não reconhecida de ativos podres em circulação.

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Por fim, Thaís vislumbra qual seria o cenário de maior risco na economia real para os EUA: “um segundo mergulho embora bem menos provável hoje, poderia ter consequências desastrosas, ainda mais em um ambiente no qual todos os estímulos e subterfúgios já foram utilizados”.

Europa segue como maior problema
Porém, a questão mais grave e urgente da economia global deverá continuar sendo a Europa em 2011. Depois das ajudas bilionárias à Grécia e Irlanda, haveria uma complicação ainda maior da economia da região caso países como a Espanha e a Itália necessitassem de resgate similares, mas a analista lembra, “está fora de questão deixar algum dos integrantes mais perdulários do Euro quebrar”, prevendo em seguida que “a solução vai passar por um sério esforço fiscal, com longos anos de crescimento baixo”.

Desaceleração é desafio na China
Já a China, o principal desafio será evitar um surto inflacionário e o surgimento e ampliação de bolhas de ativos através da realização de uma aterrissagem suave em 2011, mas sem esquecer da necessidade da manutenção de um ritmo forte de criação de empregos. 

Segundo a analista, a estratégia deverá ser traçada com base na ligeira valorização do yuan, além da aceleração de aumento de juros e compulsórios.

Commodities devem seguir em alta
Ademais, os preços das commodities devem permanecer próximos aos patamares atuais, levando em consideração os problemas de oferta causados por quebras de safras gerados por fenômenos climáticos. Contudo, a desaceleração prevista para a China deve aliviar a pressão.