Cemig: JPMorgan eleva preço-alvo, mas reduz recomendação para neutra

Apesar de esperar um crescimento na demanda doméstica, impasses e eleições devem limitar ganhos da empresa

SÃO PAULO – Os analistas do JPMorgan revisaram suas projeções para a Cemig (CMIG4). Prevendo um crescimento da demanda em 2010, o preço-alvo das ações foi elevado de R$ 31,00 para R$ 35,00 – upside de 2,94% frente a cotação de fechamento desta sexta-feira (11). Contudo, por conta das recentes valorizações e dos impactos eleitorais, a recomendação do banco foi rebaixada para “neutra”.
Apesar de apostar num cenário mais propício ao setor durante os próximos anos, o banco norte-americano acredita que os papéis da Energias do Brasil (ENBR3) deverão se beneficiar mais do que a empresa mineira. Segundo os especialistas, a companhia possui maior exposição ao movimento de recuperação da demanda e seus ativos deverão ganhar mais liquidez após a recente oferta de ações realizada.
Já no âmbito político, os papéis da Copel (CPLE6) são vistos com melhores olhos pela equipe de análise, dada a sua menor exposição ao risco. De acordo com o relatório, a escolha de um candidato que não seja do PSDB para o governo de Minas Gerais pode limitar a possibilidade de valorização e expansão da empresa.
Esse receio existe por conta da participação importante do atual governador, Aécio Neves, nos resultados positivos da companhia. Contudo, ele completará seu segundo mandato em abril de 2010.
Usina Belo Monte

Além da maior exposição para outras empresas do setor, os analistas do JPMorgan também mostram-se receosos diante do possível ingresso da companhia na participação da Usina de Belo Monte. Na avaliação do banco, os investimentos injetados nesse projeto são vistos “mais como um risco do que como uma oportunidade”, uma vez que os ganhos adquiridos podem ficar abaixo da meta.
“Nós reiteramos nossa visão de que o projeto de Belo Monte faz mais sentido para o governo (devido à sua grande extensão e ao seu ‘potencial’ para propaganda eleitoral) e para construtoras do que para fornecedoras de energia”, afirmam os avaliadores. A Cemig deverá investir cerca de R$ 2,2 bilhões por cerca de 20% da participação na usina.
Impasses

Além desse, outros fatores levam os especialistas do banco a adotarem uma postura cética diante do futuro da companhia. Eles argumentam que muitas indefinições em torno do setor dificultam na hora de traçar as perspectivas para a empresa, como o imbróglio envolvendo a metodologia das tarifas de distribuição e as incertezas acerca dos reajustes tarifários a partir de agosto de 2010.

Aliado a isso, as eleições de Minas Gerais também deverão gerar entraves para o desenvolvimento da geradora de energia. Por conta disso, “estamos menos otimistas com a perspectiva de consolidação da Cemig em 2010”, concluem os analistas.
Prêmio justificado

Os papéis da geradora de energia elétrica estão sendo negociados com um pequeno prêmio em relação às outras empresas do setor. Na visão da equipe do JP, essa precificação é justa, já que nos últimos três meses as ações da companhia reportaram uma performance acima do Ibovespa e de seus pares no mercado doméstico.
“Nós acreditamos que os ativos da Cemig agora estão sendo negociados com um valuation justificável em comparação aos seus pares”, afirmam os especialistas do banco norte-americano. Melhores expectativas de retomada da demanda doméstica, PPAs (contratos de vendas de energia) a preços atrativos no mercado aberto e maior visibilidade e liquidez de seus papéis contribuem para o prêmio de negociação.