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Nesta semana, a Polícia Federal (PF) retoma os depoimentos do inquérito originado pela Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades em operações financeiras e na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) instituição estatal do governo do Distrito Federal.
Segundo a PF, oito investigados serão ouvidos: quatro hoje e outros quatro amanhã. Nos bastidores, a expectativa de envolvidos no processo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o inquérito da PF é supervisionado pelo ministro Dias Toffoli, é que as informações prestadas pelos depoentes sejam decisivas para definir os próximos passos da apuração e se ela continuará no âmbito da Corte.
Com a conclusão dos depoimentos e a análise das provas obtidas, será possível ter uma avaliação mais precisa sobre a manutenção das investigações na Corte, ou sua devolução à primeira instância da Justiça Federal, que autorizou a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Oportunidade com segurança!

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Essa opção é tida como uma possível saída para Toffoli diante do incômodo no STF com suas decisões na condução do caso, sem que sejam anuladas medidas já tomadas.
Investigação
A investigação começou no primeiro grau da Justiça Federal e foi remetida ao STF por decisão de Toffoli, após, em uma das buscas autorizadas, a PF apreender o contrato de uma negociação imobiliária entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e um deputado federal, já que parlamentares federais têm prerrogativa de foro na Corte.
A investigação, no entanto, está focada nas ações e relações do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que coleciona contatos políticos influentes em Brasília e chegou a ser preso na primeira fase da operação da PF. Em crise financeira, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado e o BRB teve sua direção trocada por determinação da Justiça.
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Quem vai depor e quando
Serão ouvidos nesta segunda-feira:
- Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada;
- Henrique Souza e Silva Peretto, empresário por trás da empresa que originou carteiras falsas vendidas pelo Master ao BRB;
- Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Na terça-feira vão ocorrer os depoimentos de:
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB;
- Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
Crimes investigados
Os investigadores apuram os supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito “insubsistentes” do Master ao BRB, por um valor de pouco mais de R$ 12 bilhões.
Os depoentes devem ser questionados sobre as provas levantadas pela PF no âmbito das duas fases da Operação Compliance Zero, que foram deflagradas em novembro de 2025 e janeiro deste ano.
No fim do ano passado, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa prestaram depoimentos, assim como o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, que não é investigado.
Vorcaro admitiu que o banco enfrentou uma crise de liquidez e que seu modelo de negócios dependia integralmente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre parte das perdas de investidores em caso de problemas em instituições financeiras.
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O banqueiro também disse ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do Master para o banco estatal. O governador admitiu encontros, mas disse não ter tratado do assunto com Vorcaro. O negócio, segundo ele, estava a cargo de Costa, que foi afastado do BRB.
Motivos de desconforto
O caso do Master envolve potenciais conflitos de interesse com ministros do STF desde o ano passado. A colunista do GLOBO Malu Gaspar revelou que o banco que acabaria liquidado contratou o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e que ele teria intercedido em favor do banco junto ao presidente do BC, Gabriel Galípolo. Os dois negaram terem falado disso em um encontro.
Já Toffoli, que assumiu a relatoria do inquérito sobre o Master no STF, chamou a atenção ao tomar decisões controversas na condução do processo, na opinião de juristas, como interferências no trabalho da PF, incluindo prazos curtos para depoimentos.
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O desconforto aumentou com a revelação de que o ministro viajou a Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores da América na companhia de um advogado de um dos investigados do caso Master, do qual se tornaria relator em poucos dias. Um pedido de deputados da oposição de afastamento de Toffoli do caso por causa disso foi arquivado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Outra revelação foi a de que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel — alvo da segunda fase da Compliance Zero — estava por trás de um fundo de investimentos que foi sócio de uma empresa no nome de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, às margens de uma represa no interior do Paraná.
Fachin sai em defesa de Toffoli
Diante do aumento do incômodo com os potenciais conflitos de interesse, na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa de Toffoli após a rejeição do pedido de suspeição do relator pela PGR, ao divulgar uma nota. O ministro afirmou que o STF atua na “regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo ministro relator, Dias Toffoli”.
