‘Caso dele é de polícia’, diz Lula sobre áudio de Flávio Bolsonaro e Vorcaro

'Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, ‌eu não sou procurador-geral', disse Lula ao ser questionado sobre o caso envolvendo Flávio

Reuters

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro (não retratado), no Palácio de São Bento, em Lisboa, Portugal, em 21 de abril de 2026. REUTERS/Pedro Nunes/File Photo
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro (não retratado), no Palácio de São Bento, em Lisboa, Portugal, em 21 de abril de 2026. REUTERS/Pedro Nunes/File Photo

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O presidente Luiz ⁠Inácio Lula da Silva se recusou a comentar o áudio ⁠que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário eleitoral, com o ex-dono ‌do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, dizendo que esse é um problema de polícia.

‘Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, ‌eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e tratar do emprego’, disse Lula ao ser questionado por um repórter da CNN Brasil enquanto discursava ⁠na ‌Bahia.

A mensagem de voz, que foi publicada pelo site de notícias The Intercept Brasil na ⁠quarta-feira, mostra Flávio pedindo a Vorcaro que retomasse o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro negou ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em ​troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis comentar a reportagem do Intercept.

SCRIPT

Lula seguiu o script que ele mesmo vem traçando, de não entrar em confronto direto com ​Flávio Bolsonaro antes das eleições. Fontes explicaram à Reuters que a postura de Lula tem sido de falar de seu governo e tem cobrado que ministros façam o mesmo.

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‘Ele acredita que o governo tem muita coisa para mostrar que as pessoas ainda não sabem, e essa tem que ser a prioridade agora. Tem muito tempo para a eleição’, ‌disse uma das fontes.

O enfrentamento político, defende o Planalto, precisa ser ​feito pelo PT, assim como deputados e candidatos aliados ao presidente.

Com o escândalo na rua, o partido assumiu esse papel e rapidamente ocupou as redes sociais usando petistas e perfis aliados à esquerda com ataque ao ⁠senador, vinculando-o a Vorcaro que, preso, ​hoje é um personagem ​radioativo em Brasília.

Um dos principais nomes ligados a Lula, o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad deu ⁠entrevistas afirmando que Vorcaro e os Bolsonaro ‘são uma ​coisa só’.

‘Tem focinho de porco, rabo de porco, orelha de porco… o que estamos falando? Toda relação de Vorcaro é com o governo Bolsonaro’, disse.

Deputados também distribuíram nas redes um vídeo feito por inteligência ​artificial apontando os laços do ex-presidente e seu governo com Vorcaro, desde as doações de campanha a Jair Bolsonaro aos áudios de Flávio, passando por ​Roberto Campos Neto que, como ⁠presidente do Banco Central, autorizou o funcionamento do Banco Master.

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A avaliação é que o episódio é um imenso desgaste para ⁠a campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente depois da operação da Polícia Federal da semana passada que mirou os laços do senador Ciro Nogueira — ex-ministro de Bolsonaro — com Vorcaro.

Mesmo que o núcleo duro do bolsonarismo não deixe a campanha de Flávio, disse uma fonte, possivelmente parte dos eleitores de centro abandonarão o filho mais velho de Jair Bolsonaro.