Prisão de Delcídio

Cármen Lúcia: parece que o escárnio venceu o cinismo, mas o crime não vencerá a Justiça

Confira o trecho da declaração da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia ao votar em favor da decisão do ministro relator da Lava Jato, Teori Zavaski, pela prisão do então líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS)

SÃO PAULO – Confira o trecho da declaração da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia ao votar em favor da decisão do ministro relator da Lava Jato, Teori Zavaski, pela prisão do então líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS):

“Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou em um mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora, parece-se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha de desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão. Não passarão sobre os juízes – e há juízes no Brasil. Não passarão sobre novas esperanças do povo brasileiro, porque a decepção não pode estancar a vontade de acertar sobre o espaço público. Não passarão sobre a Constituição do Brasil. A decisão do ministro Teori Zavascki deixa patenteado que não se confunde imunidade com impunidade. A Constituição do Brasil, em seu parágrafo 3º do artigo 55 prevê a imunidade do mandato para a garantia democrática e legítima daquilo que foi recebido do cidadão pelo representante, mas em nenhuma passagem a Constituição permite qualquer forma de impunidade a quem quer que seja”.