Carlos Bolsonaro relata hematomas e desorientação do pai após queda em cela da PF

Ex-vereador afirma que Jair Bolsonaro apresentava ferimentos e confusão mental

Marina Verenicz

Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano

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O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (6) que encontrou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com sinais visíveis de ferimentos após uma queda ocorrida durante a madrugada na sala especial da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Segundo o relato, Bolsonaro apresentava hematoma no rosto, sangramento nos pés e aparentava estar desorientado.

Em publicação nas redes sociais, Carlos disse que chegou à PF para a visita após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas que ela ainda não havia sido autorizada a entrar porque médicos avaliavam uma queda sofrida pelo ex-presidente. Ao encontrá-lo, relatou que Bolsonaro mudou de assunto ao ser questionado sobre o ocorrido, demonstrando confusão.

De acordo com o ex-vereador, a queda teria acontecido durante a madrugada, possivelmente após um pesadelo, mas o ex-presidente não soube informar o horário nem explicar como caiu.

“A Polícia só percebeu que o fato havia ocorrido pela manhã, ao destrancarem a porta do quarto e encontrarem o velho atordoado”, escreveu no X.

Diante da situação, familiares solicitaram avaliações médicas, que teriam sido realizadas na própria unidade. Carlos afirmou, porém, que foi informado de que a transferência para um hospital depende de pedido formal da defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Na tarde desta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação da trama golpista, negou a transferência do ex-presidente para o hospital. Na decisão, Moraes afirmou que, à luz das informações prestadas pela Polícia Federal, não há indicação de urgência que justifique a transferência imediata.

Segundo o ministro, o atendimento inicial foi realizado no local de custódia e não apontou risco que demandasse remoção emergencial

O episódio ocorre em meio a uma sequência de intercorrências médicas envolvendo Bolsonaro. Nos últimos dias, ele recebeu alta após internação para tratar uma hérnia inguinal bilateral e passou por procedimentos adicionais para conter crises persistentes de soluços, além de exames que indicaram esofagite, gastrite e picos de pressão arterial. Médicos que acompanham o ex-presidente já haviam alertado para o risco de quedas no atual quadro clínico.

Carlos Bolsonaro também afirmou que o pai tem histórico de labirintite e reclamou de restrições ao acompanhamento fisioterapêutico na prisão. Segundo ele, relatórios médicos estão sendo preparados para embasar novas medidas, enquanto familiares aguardam eventual liberação para a realização de exames hospitalares.

Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime fechado, após condenação pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.