Hoje às 14h

Cara a cara com Moro: entenda como será o depoimento de Lula hoje na Lava Jato – e os próximos passos

A audiência será fechada e não terá nenhum tipo de transmissão ao vivo; o juiz proibiu até a entrada de celulares na sala de audiência para evitar divulgação do conteúdo do interrogatório.

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SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depõe hoje (10), às 14h, ao juiz federal Sérgio Moro em Curitiba, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, no processo em que o ex-presidente é acusado de receber propina da empreiteira OAS por meio das reformas de um apartamento triplex no Guarujá, litoral de São Paulo, e de um sítio em Atibaia, no interior do estado. A defesa do ex-presidente nega que ele seja dono dos imóveis.

A audiência, fechada, não terá nenhum tipo de transmissão ao vivo. O juiz proibiu até a entrada de celulares na sala de audiência para evitar divulgação do conteúdo do interrogatório. 

Como será filmado
O depoimento será filmado com duas câmaras. Além do registrado focado em quem depõe – no caso, Lula -, será feito uma gravação lateral, que mostrará a sala da audiência em um ângulo mais amplo. A gravação em vídeo deve ser tornada pública apenas horas depois do fim da sessão, como é o padrão nas ações penais da Lava Jato. 

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Na segunda-feira, Moro negou o pedido da defesa para que o interrogatório fosse gravado por conta própria. O juiz alegou, em sua decisão, que a gravação do depoimento de Lula teria “propósitos político-partidários”. A defesa dizia ser importante “capturar a completude do ato judicial para observar as expressões faciais e corporais não somente do acusado, mas também do Ministério Público Federal e do juízo”. 

Na hora da audiência, só quem está dentro da sala sabe o que está acontecendo, mas já houve ao menos um caso de vazamento simultâneo de informações, no depoimento de Marcelo Odebrecht em abril. 

Quem pode entrar
Ninguém poderá entrar no prédio, além dos participantes da audiência e da Polícia Federal. O expediente foi suspenso. 

Além do réu e do juiz, poderão entrar na sala onde ocorrerá o depoimento, no prédio da Justiça Federal, em Curitiba, servidores que trabalham na audiência, procuradores do Ministério Público Federal, advogados, incluindo o assistente da acusação, os defensores de Lula e de outros réus e um representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). 

Manifestações
A cidade vive um clima de expectativa e recebeu, nos últimos dias, manifestantes pró e contra o ex-presidente vindos de todo país. Para hoje estão previstos atos pela cidade.

O grupo que apoia Lula vai se concentrar na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná. Para chegar lá, os organizadores providenciaram ônibus para levar os manifestantes que estão no “acampamento pela democracia”, montado ao lado da rodoferroviária. De acordo com a organização, 5 mil pessoas estão acampadas.

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Por determinação da Justiça, cercas começaram a ser colocadas entre os trilhos de trem e o acampamento, que é organizado por movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), e centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Ontem a 1ª Vara Federal de Curitiba concedeu reintegração de posse de parte do terreno usado pelos manifestantes pró-Lula. O pedido foi feito pela empresa concessionária Rumo, responsável pelo local. E, para garantir a segurança dos manifestantes, a Justiça determinou a colocação de cercas, já que o local é usado para manobra de trens.

O grupo contra Lula também se mobiliza. Manifestantes vindos de vários estados do país se encontraram no Museu Oscar Niemeyer a partir das 10h. A organização do movimento destaca que o ato será pacífico e serve para demonstrar que o ex-presidente não é bem-vindo à capital.

Os próximos passos

Lula é o último réu a depor no processo, que se aproxima da conclusão. Depois do interrogatório, o MPF e as defesas poderão pedir as últimas diligências. Caso não ocorra, o juiz determinará os prazos para que as partes apresentem as alegações finais. 

Na sequência, os autos voltam para o juiz, que vai definir a sentença, podendo condenar ou absolver os réus. Não há prazo para que a sentença seja publicada. 

A audiência é do processo sobre um triplex em Guarujá (SP), que o Ministério Público Federal (MPF) afirma que Lula receberia como vantagem indevida da empreiteira OAS. A empresa teria feito reformas neste mesmo imóvel para receber a família de Lula. Em troca, o ex-presidente atuaria em favor da OAS.
A defesa do ex-presidente nega as acusações e diz que o MPF não apresentou provas dos supostos crimes cometidos por ele.