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Campanha de Dilma usa ficha falsa da ditadura criada contra ela em vídeo oficial

Imagens de ficha criminal circulam na internet desde 2008 e foi alvo de críticas pela própria presidente na época

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SÃO PAULO – As imagens de uma ficha criminal usadas pela própria campanha de TV de Dilma Rousseff são tidas como falsa pela própria candidata. A imagem se espalhou pela internet e é compartilhada na rede desde 2008, sendo alvo de críticas da própria presidente.

O documento lista ações armadas que Dilma teria participado durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985 e aparece ao final do programa da presidente, de forma a reforçar a imagem da luta de Dilma contra o regime militar no País. 

A propaganda que reproduz a falsa ficha criminal foi divulgada pelos canais de Dilma no Facebook, no YouTube e no Google+. A descoberta foi feita pelo jornalista Gustavo Villas Boas, que publicou as informações em seu perfil do Facebook.

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A ficha foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo em 2009, sendo que a própria Dilma ressaltou que o documento continha “manipulações tipográficas” e “fabricação digital” e destacou que não participou das ações descritas na ficha, nunca tendo participado de uma ação armada. A Folha também destacou em matéria de hoje o uso da ficha pela campanha de Dilma

O próprio jornal destacou ter cometido dois erros na publicação da reportagem na época: o primeiro, ao afirmar que a origem da ficha era do arquivo do Dops, sendo que foi recebida por e-mail e a segunda, tratar como autêntica uma ficha cuja autencidade não poderia ser assegurada, nem descartada. 

A campanha destacou utilizar a imagem com recurso meramente ilustrativo e metafórico, sem qualquer referência a seu conteúdo e sem tratá-lo como documento. 

Ficha de Dilma

Confira um trecho da carta enviado por Dilma à Folha de S. Paulo e publicada pelo próprio jornal em 2009:

“Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos. O mais grave é que o jornal Folha de S.Pauloestampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.”