Crise na Etiópia

Campanha arrecada US$ 50 mil para que etíope medalhista no Rio consiga asilo

Etíope Feyisa Lilesa chamou a atenção ao completar sua  prova fazendo protesto contra governo do seu país, alertando para a situação da tribo Oroma

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SÃO PAULO – A Olimpíada do Rio reservou muitos momentos felizes, mas também houve cenas tristes e que retrataram o cenário de tensão que ocorre em muitas nações que foram representadas no evento. 

Considerada a prova mais nobre da Olimpíada, a maratona ocorreu no último domingo (21) e teve o queniano Eliud Kipchoge como o grande vencedor. Porém, foi o segundo lugar, o etíope Feyisa Lilesa, que chamou a atenção ao completar a prova fazendo um protesto: ele cruzou os braços em “X” sobre a sua cabeça, chamando a atenção sobre a situação política do seu país. 

Isso porque o símbolo que ele fez é contra o governo da Etiópia e em apoio aos Oroma, povo que vem sofrendo perseguições em seu país. Logo depois da prova, ele afirmou: “se voltar para a Etiópia, se calhar eles vão me matar”.

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“Oroma é a minha tribo, o povo Oroma protesta pelo que acha certo, pela paz, por um lugar”, destacou Lilesa. Segundo ele, só se vive em liberdade no país quem apoia o governo. Desta forma, o atleta procura um asilo em outro país. 

Os manifestantes da sua tribo têm se revoltado contra o governo em meio aos planos de expansão da capital, Adis-Abeba, em que se prevê utilizar as terras da tribo Oromo e retirar de lá os nativos. 

As manifestações contra a medida são reprimidas com violência pelo governo. O Washington Post ressalta que grande parte destes protestos têm terminado em matanças brutais, enquanto um levantamento da ONG Human Rights Watch revela que desde novembro já foram mortas mais de 400 pessoas, sobretudo civis, enquanto dezenas foram presos e torturados.

A Anistia Internacional fez uma denúncia de que pelo menos 97 pessoas foram mortas em um protesto pacífico no país.

Campanha na internet
Nesta segunda-feira, uma campanha na internet conseguiu arrecadar quase US$ 50 mil em menos de 24 horas para que Lelisa possa pedir asilo nos Estados Unidos ou outro país. Este é o valor tido como meta para que ele pudesse pedir asilo.

“Convocamos todos os etíopes e defensores dos direitos humanos a contribuírem para apoiar o atleta Feyisa Lelisa, que mostrou um grande heroísmo ao se transformar em um símbolo internacional para os protestos oromo”, diz o texto da campanha.

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Durante esta segunda, diante do alvoroço criado nas redes sociais por conta do medo do maratonista em morrer ao voltar para seu país, o chefe do Escritório de Comunicações do governo etíope, Getachew Reda, disse à imprensa local que Lelisa não sofrerá acusações por suas opiniões políticas.