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Caminhos trilhados por Brasil e Argentina estão cada vez mais diferentes, afirma MCM

Consultoria ressalta que, até anos noventa, destinos dos dois países pareciam se cruzar, o que não é observado atualmente

SÃO PAULO – Até os anos noventa, as trajetórias política e econômica muito comuns pareciam tornar os destinos do Brasil e da Argentina cada vez mais congruentes. Porém, quando nos deparamos com o cenário atual, vemos que esses países vêm apresentando políticas cada vez mais distantes. É o que avalia a equipe da MCM Consultores, observando que, a forma como os dois países se relacionam com poder e as políticas comerciais estão cada vez mais diferentes, sendo esta uma boa notícia para o Brasil. 

A MCM destaca que, nos anos setenta, ambos os países viviam sob regimes militares, com transição, na década de oitenta, para governos civis. Além disso, ambos enfrentaram a hiperinflação e o fracasso de diversos planos de estabilização financeira, com adoção das mesmas práticas como congelamento de preços e salários e controle de câmbio para tentar reverter esse quadro.

Já em noventa, ambos os países conseguiram controlar a inflação. No Brasil, através do Plano Real, já na Argentina, com o currency board, que atrelou o peso com o dólar, através de uma paridade fixa. Esse período também foi marcado por maior abertura econômica, privatizações e de predomínio da ortodoxia econômica. Além disso, o Mercosul pareceia estreitar os laços econômicos entre Brasil e Argentina.

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Mudança de trajetória
Para os consultores da MCM, as crises financeiras da Rússia e da Ásia do final dos anos 90 mudaram esse cenário de convergência, com o dano causado por elas sendo bem menor no Brasil do que na Argentina. No Brasil, ressaltam, a atividade econômica sofreu uma forte queda. Porém, a crise resultou na constituição de um tripé macroeconômico bastante bem sucedido, composto pela adoção do câmbio flexível, metas de inflação e superávit primário, afirmam. Já na Argentina, houve o inverso, com desastres econômico e político cujas consequências podem ser observadas atualmente. 

 

“Se a crise pavimentou o caminho para que Lula e o PT (Partido dos Trabalhadores) chegassem ao poder no Brasil, ela também permitiu que os justicialistas o recuperassem na Argentina”, afirma a MCM. Entretanto, os consultores ressaltam que, enquanto os primeiros assumiram um governo com a economia organizada, embora abalada por problemas conjunturais – dentre eles o receio da condução da política econômica pelo PT – os peronistas enfrentaram um cenário muito mais complicado. “Este é um dos fatores que explicam a moderação de Lula e do PT vis-à-vis o radicalismo dos Kirchner, na economia e na política”, afirmam.

Os consultores da MCM destacam que há alguns setores no Brasil que vêem a Argentina, com um modelo econômico nacionalista e protecionista combinado a uma taxa de câmbio valorizada, como uma referência para o País. Enquanto isso, outros desejariam que a presidente Dilma Rouseff intensificasse as ações de repressão à imprensa. Porém, afirmam, essas posições são minoritárias, não encontrando espaço no Brasil.

“No campo político, o que mais nos diferencia simbolicamente da situação argentina é o trato com a imprensa. Enquanto Cristina Kirchner aperta o cerco contra a imprensa, aprovando o controle estatal do papel jornal e usando o aparato repressivo para invadir redações de jornais, o governo Dilma engavetou a proposta de regulamentação da mídia e tem se comprometido publicamente com a liberdade de imprensa”, avaliam, destacando também a diferença na forma de lidar com assuntos delicados como o câncer das presidentes Dilma e Cristina também como muito díspares. 

Política comercial também difere
No plano comercial, a diferença entre Brasil e Argentina no plano comercial também vem aumentando cada vez mais, segundo os consultores, em meio às medidas protecionistas do governo Cristina Kirchner contra a importação de produtos brasileiros.

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A mais recente determinação foi de qualquer importação deveria passar por uma aprovação prévia do Ministério de Comércio da Argentina, e se aplica aos demais parceiros do Mercosul. Isso acaba por abalar o já combalido mercado comum sul-americano, de acordo com os consultores, ressaltando que, no presente momento, é cada vez mais díficil comparar os dois países, o que é positivo para o Brasil.