Câmara convida Mantega a explicar “interferência do Governo” na Vale

Comissão de Fiscalização reage a notícias de que ministro teria se reunido com Bradesco para articular saída de Agnelli

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SÃO PAULO – A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (23) um convite ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para “esclarecimentos quanto a eventual interferência do Governo na Vale (VALE3, VALE5)”.

O deputado Mendonça Filho, do Democratas, solicitou que Mantega fosse convocado à Comissão de Fiscalização Financeira e de Controle da Câmara depois que surgiram notícias de que o ministro teria se encontrado com a direção do Bradesco (BBDC4) para discutir a retirada de Roger Agnelli do comando da mineradora. Agnelli, por sua vez, teria se reunido nesta quarta com a Previ (Fundo de Pensão do Banco do Brasil) para discutir sua permanência na Vale, segundo jornais. 

Apesar de não ser estatal, a Vale tem em seu bloco de controle o BNDESpar e a Previ, o que dá ao Governo, indiretamente, certa influência na mineradora. Por meio da Bradespar (BRAP4), o Bradesco também é um dos principais acionistas da mineradora, o que explicaria a articulação de Mantega. Desde meados de 2010, rumores dão conta de que o governo quer Agnelli fora do principal posto da Vale – rumores esses negados pela mineradora e pelo executivo

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Cabe dizer que a Comissão alterou o requerimento de “convocação” para “convite” – o que significa que Mantega não é obrigado a comparecer. A data para a audiência pública ainda não foi agendada.

Confira o requerimento
“A Vale, maior empresa privada da América Latina, vem sofrendo, desde 2009, pressões para que seja destituído do cargo seu principal executivo, o Sr. Roger Agnelli. Mais recentemente, notícias dão conta da tentativa de interferência direta do Sr. ministro da Fazenda no assunto. Entendemos absurda essa tentativa, haja vista tratar-se de empresa de capital privado e aberto. Preocupa-nos mais o fato de tal interferência prejudicar acionistas minoritários, que aguardam ansiosamente pelo resultado das discussões, uma vez que veem o preço de suas ações terem a performance afetada negativamente”, escreveu a Comissão no requerimento aprovado nesta sessão.