Troca de farpas

Caiado diz para Lindbergh fazer antidoping e não ficar “cheirando”

Troca de acusações marcou primeira sessão da fase final do impeachment de Dilma Rousseff

O primeiro momento de maior tensão hoje (25) no julgamento do processo de impeachment, no Senado, contra a presidente afastada Dilma Rousseff levou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, a suspender a sessão por alguns minutos para tentar restabelecer a ordem. A confusão começou quando a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) afirmou que nenhum senador tem condições morais para julgar o afastamento permanente de Dilma.

“Aqui não tem ninguém com condições para julgar ninguém. Qual a moral do Senado para julgar uma presidente da República?”, disse, visivelmente exaltada. A declaração foi interrompida pela manifestação indignada de outros senadores longe do microfone, entre eles, Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem Gleisi respondeu acusando: “o senhor é do trabalho escravo”, disse ao microfone. 

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) interveio e chamou o senador do DEM de canalha e citou o parlamentar cassado Demóstenes Torres, que foi aliado de Caiado. “Demóstenes é que sabe da sua vida”, afirmou o petista. Caiado disparou: “tem que fazer antidoping. Fica aqui cheirando não”, disse. 

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Logo após o intervalo para o almoço, Lindbergh afirmou que vai processar Caiado pelas declarações: “o senador Caiado não tem moral alguma para falar. Vou processar”.

Volta aos trabalhos
Diante do bate-boca estabelecido, com a volta dos trabalhos após a interrupção, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu serenidade nas discussões para que as testemunhas começassem a ser ouvidas.  Ao retomar a sessão, Lewandowski anunciou o indeferimento da questão de ordem da senadora Fátima Bezerra (PT-RN) que voltou a apontar suspeição do relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), pelo vínculo com o partido tucano, a quem aliados de Dilma atribuem a autoria do processo.

“Isto não é democracia. É um tribunal de exceção”, acusou. Aliada do governo Temer, Simone Tebet (PMDB-MS) disse que a alegação revela “medo” dos contrários ao processo e afirmou que a questão já foi decidida por todas as instâncias que receberam recursos no mesmo sentido.

O ministro Lewandowski também indeferiu pedido feito pela senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) que solicitou a impugnação do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, primeira testemunha a falar na sessão de hoje, afirmando que ele teria um posicionamento parcial. Lewandowski negou o pedido dizendo que Júlio Marcelo “possui idoneidade e capacidade técnica para apresentar testemunho”.

(Com Agência Brasil)