Dinheiro de propina

Cabral usou ações da Petrobras, Vale e Ambev em NY para lavar dinheiro recebido de Eike

PF deflagrou nesta quinta-feira nova operação no âmbito da Lava Jato e tentou prender o empresário Eike Batista por suspeita de pagamento de propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral

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SÃO PAULO – O esquema de corrupção e lavagem de ao menos US$ 100 milhões do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), envolveu até mesmo a compra de ações da Petrobras (PETR3;PETR4), Vale (VALE3;VALE5) e Ambev (ABEV3) na Bolsa de Nova York, conforme destacou a força-tarefa da Operação Lava Jato em coletiva nesta quinta-feira. 

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira nova operação no âmbito da Lava Jato e tentou prender o empresário Eike Batista por suspeita de pagamento de propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral, mas o ex-bilionário não foi encontrado em uma batida policial em sua casa no Rio de Janeiro.

É a primeira vez, desde o início da Operação que os investigadores se deparam com este tipo de transação envolvendo a compra de ações em Bolsa. As empresas não são citadas na investigação e não recai nenhuma suspeita sobre elas. O montante de US$ 16,5 milhões teria sido empregada na compra de ativos. A propina passou por uma conta de Eike no Panamá e acabou custodiada em favor de Cabral no Uruguai.

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De acordo com o procurador da República Eduardo El Hage, não foi possível a transferência dos US$ 16,5 milhões. “Aí Sérgio Cabral pediu aquisição de ações em Bolsa, ações da Petrobras”, disse o procurador da República Eduardo El Hage durante coletiva. “Acabou adquirindo ações da Ambev, Petrobras e da Vale. Depois foi feita a transferência dos valores para a conta no Uruguai.”

Os delatores Marcelo Chebar e Renato Chebar detalharam a operação financeira para o pagamento do valor da propina da conta do empresário no Panamá para uma conta dos operadores de Cabral no Uruguai. Eles revelaram que, por indicação de Cabral, foram adquiridas ações na bolsa de valores que pertenceriam, de fato, a Cabral, apesar de não estarem em seu nome. Os delatores apresentaram os extratos de compras e vendas de 300 mil ações da Petrobrás, 100 mil da Vale e 16 mil da Ambev, entre 2011 e 2012.

Os delatores afirmaram não saber o motivo do pagamento. Contudo, mostraram detalhes sobre a estruturação junto a executivos que trabalhavam com Eike, incluindo Flavio Godinho, que foi preso na Operação Eficiência. Os investigadores disseram que ainda estão apurando as contrapartidas para o pagamento da propina, mas ressaltaram que já é possível configurar o crime de corrupção mesmo sem identificar as vantagens obtidas com o pagamento.

“De maneira sofisticada e reiterada, Eike Batista utiliza a simulação de negócios jurídicos para o pagamento e posterior ocultação de valores ilícitos, o que comprova a necessidade da sua prisão para a garantia da ordem pública”, disseram os procuradores responsáveis pelas investigações.

Segundo uma fonte envolvida com a investigação, que pediu anonimato, a propina paga seria pelo “chamado conjunto da obra”, incluindo licenças e autorizações para projetos como o empreendimento do Porto do Açu.

(Com Reuters e Agência Estado) 

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