Lava Jato

Bumlai diz que Marisa pediu “ajuda” para comprar terreno da nova sede do Instituto Lula

O pecuarista depôs nesta terça-feira como testemunha arrolada pela acusação em ação penal em que Lula é acusado de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede da entidade

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SÃO PAULO – O pecuarista José Carlos Bumlai declarou nesta terça-feira (9), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em primeira instância, que a ex-primeira dama Marisa Letícia, morta em fevereiro, o procurou para pedir “ajuda” para comprar um terreno que seria destinado a abrir a nova sede do Instituto Lula. 

Bumlai depôs hoje como testemunha arrolada pela acusação em ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva responde na Justiça Federal em Curitiba. A força-tarefa acusa o ex-presidente de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Esses imóveis seriam uma contrapartida a contratos da Petrobras ganhos pela Odebrecht. 

Em depoimento, o pecuarista disse que Marisa lhe procurou para encontrar o terreno que seria usado como instalação da nova sede da entidade e que, sem saber a quem procurar, Bumlai disse que expôs a ideia ao então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, a quem disse que ter “mais liberdade para conversar”. 

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Em sua versão, ele conta ter recebido um único telefonema de uma pessoa indicada por Odebrecht, que cuidaria do assunto. Mas afirmou que não se interessou pela compra do terreno por questões de impossibilidade financeira e, por isso, afastou-se da procura. “Depois apareceu o documento com meu nome, mas não assinei, não sabia dele”, disse.   

Bumlai contou ainda que visitou o imóvel uma única vez na presença do advogado Roberto Teixeira, que passou a ajudar na análise dos documentos, dado que o imóvel encontrado por uma corretora em Indianópolis possuía muitas pendências jurídicas. Segundo o pecuarista, a escolha de Teixeira teria sido feita por dona Marisa.

De acordo com a defesa de Lula, o depoimento do pecuarista mostra que a concepção do Instituto Lula não tem qualquer relação entre os contratos firmados entre a Odebrecht e a Petrobras.