BTG Pactual comenta ‘enigma eleitoral’ e descarta mudanças estruturais

Banco aponta possível volatilidade por causa das eleições no Brasil e impacto do processo na eficiência do Congresso em votar reformas

SÃO PAULO – As eleições brasileiras no final deste ano começam a despertar atenção também no cenário internacional. Com os principais candidatos praticamente já definidos (a disputa deve se concentrar em um pleito plebiscitário envolvendo a candidata do governo, Dilma Rousseff, e o provável representante da oposição, José Serra), a corrida eleitoral foi considerada aberta pelo Bank of America Merrill Lynch.

Já o BTG Pactual preferiu comentar o impacto do processo no cenário brasileiro. As eleições majoritárias deverão ter participação de 130 milhões de pessoas e eleger um novo presidente, 27 governadores, 513 deputados e 54 senadores. “É claramente um evento significativo, e pode causar volatilidade no mercado dado o impacto na agenda micro (que nós consideramos grande) e na macro (que nós consideramos pequeno)”, aponta a instituição.

Reformar estruturais
Em primeiro lugar, o banco salienta o efeito da realização de eleições na eficiência do Congresso, que a cada dois anos é bastante prejudicada, especialmente no segundo semestre. A lentidão nas decisões durante este período dificulta a aprovação de mudanças estruturais no País, como a reforma tributária. 

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Como não há balanço entre os Três Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo), com forte predominância do governo sobre os outros sistemas, essas reformas não devem acontecer durante o próximo mandato, a não ser que o próximo presidente decida dar prioridade a essas medidas, aponta o BTG Pactual. E algumas mudanças são chave para potencializar o crescimento brasileiro, que já passa por um bom momento. 

Outro ponto abordado é o sistema eleitoral do País, no qual os cidadãos são obrigados a votar, mas “têm pouca informação, tempo, sabedoria ou motivação para tomar uma decisão consciente”, diz o banco. O problema, indica a o BTG Pactual, é que isso gera votação de má qualidade, além de um Congresso distante – e pouco controlado.