Brasileiro e sírio naturalizado viram réus por terrorismo; suspeita é de ligação com Hezbollah

Suspeita é que ambos integram célula do grupo libanês cujo objetivo era cometer atentados contra alvos judaicos no Brasil

Reuters

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A Justiça brasileira tornou réus, por terrorismo e organização criminosa, um brasileiro preso e um sírio naturalizado brasileiro que está foragido, segundo decisão do dia 16 vista pela Reuters. A suspeita é que ambos integram uma célula do grupo libanês Hezbollah que tinha por objetivo cometer atentados contra alvos judaicos no Brasil.

Criado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, para combater as forças israelenses que invadiram o Líbano, o Hezbollah hoje atua como ponta de lança do Irã no Líbano e na região.

Vão responder ao processo Lucas Passos Lima, que está preso desde novembro, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação, e Mohamad Khir Abdulmajid, o suposto recrutador do Hezbollah no Brasil, que é apontado pela corporação como o principal líder do grupo no país e está foragido. Abdulmajid deixou o país em outubro, usando passaporte libanês, e seu destino foi a capital Beirute, segundo registros oficiais. Seu nome está na lista de difusão vermelha da Interpol.

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A investigação inicial teve como base denúncia do FBI (a Polícia Federal americana), compartilhada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, sobre um possível ataque no Brasil ou em países vizinhos.

“A peça acusatória preenche os requisitos formais explicitados no art. 41 do Código de Processo Penal. A imputação nela contida abrange fatos aparentemente criminosos e vem lastreada em elementos informativos idôneos, o que evidencia a justa causa para a persecução penal em juízo”, decidiu a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, em despacho do dia 16.

A magistrada marcou para 21 de março audiência para ouvir Lucas Lima e testemunhas do processo. Ela também autorizou o desmembramento da investigação, para abrir outros inquéritos a fim de apurar o envolvimento de outros suspeitos de envolvimento no caso.

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Alvos em Brasília

Documentos judiciais relatados pela Reuters em novembro mostram que Lima fez vídeos e fotos de duas sinagogas e de um cemitério judaico em Brasília poucas semanas antes de ser detido pela PF sob acusação de terrorismo. Segundo os documentos, ele também fez treinamento com armas e procurou um piloto com experiência em cruzar fronteiras, possivelmente com o objetivo de fugir após um possível ataque.

A PF diz que Abdulmajid recrutou brasileiros e custeou a ida deles ao Líbano, para integrá-los ao Hezbollah. Ele será citado por edital, para responder ao processo, e se não for encontrado desta forma terá o processo e prazo prescricional suspensos.

A Reuters tentou localizar os responsáveis pela defesa dos dois réus, mas não obteve sucesso de imediato. Em busca processual feita no site da Justiça Federal, não constam nomes de advogados.

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