Alexandre Schwartsman

“Brasil tem que abraçar oportunidade e não voltar nunca mais”, ironiza ex-BC sobre Mercosul

Indicação de que o Mercosul poderia cogitar uma suspensão do Brasil em caso de impeachment de Dilma foi tratada ironicamente pelo ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman

SÃO PAULO – A indicação da chanceler argentina, Susana Malcorra, de que o Mercosul poderia cogitar uma suspensão do Brasil em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi tratada ironicamente pelo ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, em evento realizado pelo Instituto Millenium nesta terça-feira (22). 

“O Brasil tem que abraçar a oportunidade de sair e não voltar nunca mais”, afirmou o economista, atualmente sócio-diretor da Schwartsman & Associados, afirmando que o bloco econômico fracassou. O governo brasileiro tem sido criticado por se fechar comercialmente e aderir a poucos tratados internacionais, como a não-adesão ao TPP (Acordo de Associação Transpacífico), o maior acordo comercial da história, fazendo com que o Brasil ficasse cada vez mais isolado. 

O Mercosul é uma organização formada pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países fundadores, e Venezuela, que completou seu processo de adesão em meados de 2012.

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Em 2012, o Congresso paraguaio destituiu em menos de 48 horas Fernando Lugo, razão pela qual o país foi punido com a suspensão, que só pode ser aplicada com voto unânime dos sócios. A equipe de política externa do macrismo, na época oposição a Cristina Kirchner, considerou válido o processo e criticou o castigo. No ano passado, Macri ameaçou pedir o uso contra a Venezuela da mesma cláusula democrática, que pune nações que saem da normalidade institucional. O argentino exigia a libertação de presos políticos por Caracas. A Argentina recuou depois que uma vitória da oposição venezuelana na eleição parlamentar, em 6 de dezembro, foi reconhecida pelo presidente Nicolás Maduro.

 Uma reunião de emergência entre chanceleres está sendo organizada para tratar da crise brasileira. “Há uma cláusula democrática no Mercosul e é preciso ver se algum dos requisitos existe e pode ser aplicado. Não estou segura de – e não discutimos ainda – quais seriam as condições. Não está, agora, em nossa agenda que se aplique uma desvinculação temporária de Brasil do Mercosul, mas poderia eventualmente existir”, disse Malcorra.

(Com Agência Estado)

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