Brasil pode elevar Selic na metade de 2010, afirma ex-membro do Copom

Segundo Rodrigo Azevedo, forte expansão da economia não conseguirá se sustentar com uma taxa de juro na casa de um dígito

SÃO PAULO – O cenário atual de sequenciais cortes na taxa básica de juro do País deve começar a mudar a partir do ano que vem, com um possível ajuste para cima na Selic, disse Rodrigo Azevedo, ex-membro do Copom (Comitê de Política Monetária), à rede Bloomberg.

Atuando como um dos agentes responsáveis pelas decisões da política monetária entre os anos de 2004 e 2007, Azevedo acredita que a taxa atual de 8,75% ao ano deva subir para o patamar de 10% ao ano até o final de 2010, refletindo a recuperação mais rápida do que esperada da atividade econômica do País.

Em virtude desta retomada da economia brasileira, com o crescimento do setor imobiliário e recuperação dos investimentos e exportações, o ex-integrante da cúpula acredita que o País tenha dificuldades em manter a inflação alinhada à meta atual com uma Selic tão baixa, concluindo que este patamar de apenas um dígito “ainda não veio para ficar”.

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Contudo, ele se atenta aos perigos de uma atitude precipitada por parte da autoridade monetária nacional, atualmente presidida por Henrique Meirelles. “O risco existe caso o Banco Central aumente a taxa muito cedo ou tarde demais”, afirma Azevedo.

Incentivos deverão ser mantidos

Ainda em torno dos aportes concedidos pelo governo, que ajudaram retirar o País da recessão em que se encontrava, o analista espera que eles sejam mantidos durante o próximo ano, tendo em vista a realização das eleições presidenciais em outubro, o que pode fortalecer o atual governo perante a oposição.