Fórum The Economist

“Brasil perde um bom momento de mudança”, critica Moro sobre falta de iniciativa do poder público

"O que me causa um pouco de angústia é que esse caso poderia servir como um propulsor para mudanças mais profundas", falou o juiz federal, responsável pela Lava Jato

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SÃO PAULO – A duração da Lava Jato ainda é imprevisível. “Difícil dizer quanto tempo vai durar, isso não depende de mim. Gostaria que estivesse perto do fim”, disse o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela investigação, durante fórum da revista britânica The Economist realizado nesta terça-feira (27) em São Paulo.

“O que me causa um pouco de angústia é que esse caso poderia servir como um propulsor para mudanças mais profundas. Não tenho visto do poder público ter uma iniciativa relevante em matéria de aprimoramento da nossa legislação em termos de corrupção. É bem nesse momento que deveria se tomar uma iniciativa como essa, mas de maneira efetiva. Em parte, se perde um bom momento de mudança”, criticou. 

Questionado sobre o fatiamento da Lava Jato, ele disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) teve suas razões para decidir pelo fatiamento, mas isso não afeta o desenvolvimento do remanescente do caso que continua em Curitiba. 

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“O que devemos defender como cidadãos é que esse caso sirva como um momento de clareza e para que nos trabalhemos para que nossas instituições sejam fortalecidas”, disse. Para Moro, o principal problema hoje é a excessiva morosidade do judiciário. 

“Sou da Justiça desde 1996 e todo mundo já reclamava da morosidade do judiciário brasileiro. Precisa ter um judiciário mais eficiente e menos moroso. Tem um problema adicional que a morosidade excessiva da Justiça gera um sentimento de impunidade e isso faz com que as pessoas percam a confiança na lei”, comentou. 

Um dado positivo, pontuou, é que casos como esse mostram que as instituições estão aparentemente funcionado. “Não se varreu nenhum desses escândalos para o tapete, mas também não devemos deixar em uma situação de conforto”, disse.