Cautela das agências

Brasil não deve perder o grau de investimento em 2015, diz Mendonça de Barros

Para o economista, o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Moody's era um movimento amplamente esperado

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O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Moody’s era um movimento amplamente esperado, acompanhando a Standard & Poor’s, na avaliação do economista José Roberto Mendonça de Barros. Era esperado também, diz ele, porque, conforme a própria Moody’s colocou, a situação econômica piorou. A questão da dívida também. O ajuste fiscal está pior e o crescimento bem abaixo do que seria razoável.

A boa notícia, segundo o economista, foi a Moody’s ter mantido estável a perspectiva porque na S&P a perspectiva foi negativa. “A S&P sempre está um passo adiante. A nota da Moody’s diz que a perspectiva pode melhorar desde que Brasil consiga avançar na parte fiscal e no crescimento. A Moody’s não projeta nenhuma piora grave na métrica da dívida. Mas a nova nota foi um alerta. Temos de continuar atentos que caminhamos para perder o grau de investimento.”

Mendonça de Barros avalia que as agências até que estão cautelosas em relação às avaliações. Pela Fitch, lembra o economista, o Brasil ainda está dois degraus acima do grau de investimento. A Moody’s agora só tirou a folga. “A perspectiva de crescimento negativo está firmemente estabelecida já faz tempo. E num período mais recente está se firmando mais a ideia de que também no ano que vem o PIB vai cair. Então, estão até bem cautelosas. Tudo caminha para termos uma situação difícil e o que se espera é que um conjunto de medidas seja aprovado pelo Congresso para melhorar a situação fiscal do País.”

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Melhora
Mendonça de Barros avalia que, diante do cenário político atual, no entanto, isso ficou mais difícil nesse período recente, em que medidas completamente irresponsáveis foram aprovadas pelo Congresso. Mas se algo positivo for aprovado, ressalta, vai mostrar que o Congresso percebeu que a situação do País está difícil. “Isso seria altamente desejável e importante que ocorresse. Vamos ver se essa movimentação da Moody?s acende um sinal de alerta para o Congresso e também para o próprio governo, que tem de ter mais humildade. Nosso ministro da Fazenda (Joaquim Levy) tem batalhado muito sozinho.”

Para o economista, Levy não tem apoio claro dentro do próprio governo e isso enfraquece a função do ministro. “O ministro está atuante no Congresso e talvez a notificação da Moody’s sirva de alerta. A situação econômica segue se deteriorando e a fiscal não tem como melhorar em parte pela própria queda na arrecadação e em parte pela perspectiva do Congresso de criar novas despesas e não aprovar os ajustes que foram propostos. Ajustes que não são nada extraordinários, não representam nenhuma mudança dramática. Então o que a Moody’s fez foi um alerta muito apropriado e oportuno para lembrar que destruir mais a parte fiscal só vai fazer mal para todo mundo.”

Em relação à possibilidade de o Congresso reverter esse clima de quanto pior, melhor, Mendonça de Barros foi enfático: “Quanto pior, pior. Não é verdade quanto pior, melhor. Acho uma pena esse tipo de proposição. O rebaixamento da Moody’s, que deve ser seguido pela Fitch (outra agência), vai fazer com que cheguemos ao fim do ano com três agências nos colocando na marca do pênalti literalmente, o que por si só piora a perspectiva de recuperação da economia.”, completou.

Condições políticas
Apesar do quadro não muito favorável, Mendonça de Barros diz não acreditar que o Brasil perca o grau de investimento em 2015, pois, diz, as agências são muito cautelosas com isso. “A perda de grau de investimento é uma decisão muito difícil e forte. Se acontecer, será só no começo do ano que vem. Ainda teremos o movimento da Fitch, que coloca o Brasil dois graus acima. Mas é indispensável que o governo tenha uma postura mais humilde e que o Congresso entenda minimamente que não dá para continuar criando despesas porque isso pode gerar um desarranjo econômico ainda maior.”

O Brasil, diz o economista, caminhava para a direção de um rebaixamento de nota. Mas destaca que essa piora nas condições políticas, especialmente no Congresso, seguramente ajudou a apressar essa decisão. Principalmente com o que aconteceu na semana passada (as votações no Congresso que ampliaram gastos do governo). “Isso é muito ruim para o País. Uma das medidas foi aprovada por 400 e poucos votos contra 16. Foi quase uma unanimidade. Isso é uma pena. Estamos vivendo um momento incrível e raro. Existe um desarranjo político óbvio, uma crise macroeconômica evidente, que se expressa em crescimento baixo, desarranjo fiscal extremo, e uma crise setorial microeconômica como nunca vi – Petrobras, Eletrobras, setor automotivo, bens de capitais e assim por diante. Então temos um desarranjo econômico e político de grandes proporções e isso reunido provocou essa situação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.