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“Brasil ficou caro antes de ficar rico”, diz ex-presidente do Santander

Para Fábio Barbosa, existe atualmente um raciocínio entre autoridades brasileiras de que seria mais fácil elevar o "custo-mundo" do que reduzir o chamado custo-Brasil

SÃO PAULO – Conhecido como um dos articuladores da aquisição do Banco Real pelo Santander (SANB11) – banco que presidiu em 2008 -, o ex-presidente da Abril S.A. e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) Fábio Barbosa criticou o excesso de custos no Brasil durante evento realizado em parceria por Bloomberg, Azimut e Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura, na manhã desta terça-feira (16). “O país precisa de pequenas reformas, além das macroeconômicas”, defendeu o especialista.

Segundo ele, existe atualmente um raciocínio entre autoridades brasileiras de que seria mais fácil elevar o “custo-mundo” do que reduzir o chamado custo-Brasil, que inibe o crescimento econômico do país em um momento favorável em termos demográficos. “Era para estarmos crescendo. Temos que enriquecer antes de envelhecer”, observou Barbosa em painel intitulado “Brasil: agora na rota certa? Como navegar nos dias de hoje”, dividido com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. Neste sentido, reformas seriam necessárias, assim como uma estratégia por maior produtividade, a ser adotada sobretudo pelos próprios brasileiros.

Na avaliação do especialista em planejamento tributário, o Brasil está passando por um processo de recuperação, mas que ainda depende da retomada da confiança do mercado. “A crise é de confiança: é o mesmo governo, mas com uma nova cartilha”, observou. Os anos anteriores, disse Barbosa, foram marcados por uma orientação econômica distinta que fez com que o atual ajuste fosse a “única coisa que deveria ser feita”.

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No atual momento, mais importante do que alcançar as metas estabelecidas seria a sinalização que está sendo data. Para Barbosa, o comportamento do Banco Central de compromisso com a redução da inflação, pela convergência ao centro da meta anual de 4,5%, é um exemplo claro de mudança de comportamento. “O compromisso com o ajuste fiscal e combate à inflação é fundamental. Não importa se o País vai atingir meta de superávit primário, o que importa é a atitude”, declarou.