Nova fase

Brasil e Uruguai superam mal-estar com “impeachment” e discutem flexibilização do Mercosul

As tratativas pela flexibilização do bloco foram informadas pelo presidente uruguaio a um jornal local. Segundo ele, a ideia é promover um bloco "mais aberto", que permita acordos bilaterais por fora

SÃO PAULO – Depois da aprovação do impedimento da Venezuela em assumir a presidência rotativa do Mercosul graças a uma mudança de posição do governo uruguaio, os presidentes do país vizinho, Tabaré Vázquez, e Michel Temer reuniram-se em Nova York para discutir os rumos do bloco regional. Os dois líderes participam da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), aberta com discurso do presidente brasileiro.

Conforme conta o jornalista Clóvis Rossi, do jornal Folha de S. Paulo, as conversas entre as lideranças do bloco têm indicado que os países estão dispostos a flexibilizar o Mercosul de forma a permitir que cada um dos integrantes possa fazer acordos bilaterais com outras nações em paralelo ao bloco, ou seja, sem a necessidade de todos os sócios participarem.

Hoje, qualquer negociação com terceiros depende do aval de todos os quatro sócios fundadores (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). Por conta da suspensão virtual, não é necessária a participação da Venezuela no momento. O governo bolivariano corre o risco de ser expulso do bloco caso não consiga ratificar em nível interno os acordos firmados no Mercosul.

PUBLICIDADE

As tratativas pela flexibilização do bloco foram informadas pelo presidente uruguaio a um jornal local. Segundo ele, a ideia é promover um bloco “mais aberto”, que permita acordos bilaterais por fora.

Conta a reportagem da Folha de S. Paulo que o encontro entre Temer e Vázquez também serviu para marcar a superação de um mal-estar entre os dois países causado pelo impeachment de Dilma Rousseff. O governo uruguaio entendia o processo como legal, mas o considerava “uma grande injustiça”. A posição dos vizinhos deu mais valor ao pragmatismo, tendo em vista a dependência econômica do Brasil, segundo maior mercado consumidor de suas exportações.