Brasil e Japão dificultam adoção de regras para empresas de transgênicos

Em reunião na Alemanha, países não conseguiram chegar a um acordo sobre regras para produtores de transgênicos

SÃO PAULO – O Brasil e o Japão foram os países que mais bloquearam qualquer tentativa de criar regras que tornassem as empresas de biotecnologia responsáveis pelos danos causados pelos transgênicos ao meio ambiente, à biodiversidade, à saúde humana e aos agricultores.

A adoção de regras internacionais foi discutida na 4ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, em Bonn, na Alemanha, encerrada na última semana. Os governos e representantes presentes concordaram em prosseguir com as negociações, mas não obtiveram um consenso sobre os detalhes do funcionamento do regime.

“A boa notícia é que todos os países concordam com regras que tenham valor de lei e não sejam apenas voluntárias, mas a atitude destrutiva do Brasil e Japão traz preocupação para as futuras rodadas de negociação”, afirmou a coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Internacional, Doreen Stabinsky.

Críticas ao Brasil

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Para a coordenadora da campanha no Greenpeace Brasil, Gabriela Vuolo, a postura adotada na Alemanha mostrou a falta de interesse do governo em políticas que aliem desenvolvimento à sustentabilidade.

“Eximir as indústrias de biotecnologia da responsabilidade pelos danos causados por suas variedades transgênicas é inaceitável e vai contra a própria legislação brasileira. Esperamos que isso seja revisto para as próximas rodadas de negociação”, afirmou.

O governo brasileiro também foi denunciado durante a reunião por descumprir o protocolo de Cartagena e não exigir estudos sobre o impacto do milho transgênico ao meio ambiente do país. O documento foi assinado por seis entidades brasileiras, como Greenpeace, Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Anpa (Associação Nacional de Pequenos Agricultores), AAO (Associação de Agricultura Orgânica), Terra de Direitos e AS-PTA.