Brasil e China negociam fundo bilateral de investimento verde

Negociações andaram porque há uma receptividade do lado chinês, interessado também nas questões relativas às mudanças climáticas

Reuters

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Os governos do Brasil e da China negociam a criação de um fundo bilateral de investimento verde, para financiar e subsidiar o desenvolvimento de indústrias verdes e de energia renovável nos dois países, cujo pontapé inicial pode ser anunciado durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, na próxima semana.

“Eu não sei se vai ser possível anunciar, porque essas coisas são complexas, mas a ideia é que se possa ter um fundo bilateral”, disse à Reuters o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência. “É um fundo dos dois lados (chinês e brasileiro) para investimentos nessa área.”

Fontes que acompanham as negociações explicam que o fundo foi proposto pelo governo brasileiro e a ideia deve constar de uma declaração bilateral sobre o meio ambiente, mesmo que o mecanismo em si possa não ser anunciado ainda.

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A intenção é que o fundo bilateral, de acordo com uma das fontes, envolva o aporte de recursos públicos e privados que irá ser usado para alavancar investimentos em novas tecnologias verdes, subsidiar indústrias limpas e energia renováveis nos dois países e também em outros países em desenvolvimento.

Segundo uma das fontes, apesar da proposta ser brasileira, as negociações andaram porque há uma receptividade do lado chinês, interessado também nas questões relativas às mudanças climáticas.

“Há vários acordos. Sei que tem um acordo sobre energia renovável, certamente vai ter uma declaração importante sobre outros aspectos do clima”, disse Celso Amorim.

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A declaração poderá ser a base de um acordo mais amplo, de atuação em fóruns internacionais, acordos bilaterais de cooperação em áreas relativas ao tema e também o fundo binacional.

O governo brasileiro vem colocando a questão ambiental entre suas principais prioridades na agenda internacional, inclusive na captação de recursos para combate ao desmatamento. No caso da China, também um país em desenvolvimento, não há expectativa de doações para mecanismos como o Fundo Amazônia – até porque o país não costuma trabalhar com doações a fundo perdido, e também tem suas próprias questões climáticas para resolver.

O fundo, no entanto, poderia ajudar a captar investimentos privados, de empresas internacionais dispostas a investir no setor.

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Desde o início do ano, o governo brasileiro já recebeu 3,3 bilhões de doações, com o descongelamento de recursos da Noruega e da Alemanha, suspenso durante o governo de Jair Bolsonaro.

França, Alemanha, Reino Unido e União Europeia também já sinalizaram que podem contribuir. Já os Estados Unidos, durante a visita de Lula aos Estados Unidos, sinalizou com um aporte imediato de 50 milhões, mas depois recuou para tentar conseguir um valor mais substancial, mas que requer a aprovação pelo Congresso.

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