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SÃO PAULO – A Bovespa encerrou o pregão desta segunda-feira em queda, pressionada pelo fraco desempenho dos papéis de empresas de telecomunicações. Após operar durante boa parte da manhã em alta, impulsionada pela desaceleração da inflação medida pelo IPCA-15 e a divulgação de indicadores econômicos nos EUA, que superaram as expectativas, a Bovespa não conseguiu manter-se em alta após a divulgação da acentuada saída de investimentos externos da bolsa e da queda das bolsas norte-americanas.
Finalmente, o movimento de realização de lucro frente a alta da última segunda-feira também manteve a bolsa pressionada que, no entanto, não teve queda maior devido a forte alta dos papéis da Petrobras. A WorldCom, segunda maior operadora de longa distância nos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira, após o encerramento dos mercados, que reeditará seus resultados financeiros devido à transferências de recursos em desacordo com as normas contábeis, uma vez que a companhia movimentou ilegalmente US$ 3,055 bilhões em 2001 e US$ 797 milhões no primeiro trimestre deste ano. Assim, ao refazer seus resultados, o EBITDA (lucro antes de juros, taxas depreciação e amortização) da empresa cairá para cerca de US$ 6,339 bilhões em 2001 e US$ 1,368 bilhão nos três primeiros meses de 2002. Com isso, o vice-presidente da operadora renunciou e o diretor financeiro foi demitido. Somente no after hours do Nasdaq, os papéis da WorldCom despencaram 62%, cotados a US$ 0,32, 99,5% abaixo do máximo registrado pela ação, quando atingiu US$ 64. Ata do Copom sai hoje
O Banco Central divulgará, nesta quarta-feira, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), explicitando as razões que o levaram a manter a taxa Selic inalterada em 18,5%, mas com viés de baixa. A ata é bastante aguardada pelo mercado, já que a autoridade monetária novamente frustrou as expectativas da maioria dos investidores, que apostavam no corte de juros. Ainda hoje, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciará a Pesquisa Mensal de Emprego, relatório que trata de mão-de-obra e rendimento do trabalho. O FED divulgará, ao final da reunião de seus integrantes, o novo patamar para as taxas de juros norte-americanas, os chamados Fed Funds, atualmente em 1,75% ao ano. O mercado vinha apostando que Alan Greenspan teria espaço para elevação dos juros devido a pressão inflacionária trazida por taxas mais baixas. No entanto, uma série de anúncios corporativos desfavoráveis, não somente pelo alerta das empresas para os investidores sobre diminuição de projeções de lucros, mas também pelo rebaixamento de várias instituições financeiras a vários papéis, sinalizando que a recuperação da economia dos EUA possa ser mais longa do que se imaginava. O Departamento de Comércio dos EUA divulgará, nesta quarta-feira, o durable good orders, índice que mede o volume de pedidos e entrega de bens duráveis. Após registrar elevação de 0,8% em abril, é esperado que o índice aponte crescimento de 0,5% em maio. Ainda hoje, será anunciado o new home Sales, indicador que retrata o número de casas novas construídas pela inciativa privada, vendidas e postas a venda, que deve apresentar crescimento para 920 mil na taxa anualizada até maio, frente aos 915 mil registrados entre abril de 2001 e deste ano.
O
Índice Bovespa
fechou em leve baixa de 0,49%, sendo cotado a 10.706 pontos, registrando
um volume financeiro de R$ 688,75 milhões.
WorldCom reeditará balanço; diretores renunciam
FED divulga taxa de juros nos EUA
New Home Sales e Durable Good Orders saem hoje
Bolsas européias operam em forte queda; Japão despenca
Os principais índices acionários europeus operam em forte queda nesta quarta-feira, com um expressivo movimento de venda de ações de diversos setores após a divulgação do escândalo contábil da WorldCom.
O
índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registra forte baixa de 4,75% e atinge 4.003 pontos;
no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvaloriza-se 4,55% chegando a 3.595 pontos
e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 2,74% a 4.495 pontos.
Na Ásia,
a bolsa de Tóquio encerrou o pregão desta quarta-feira em forte baixa, atingindo seu mínimo em quatro meses, pressionada pela queda das ações de telecomunicações e tecnologia após o anúncio da WorldCom.
O índice Nikkei, de Tóquio, apresentou forte baixa de 4,02% no pregão de hoje e atingiu 10.075 pontos, enquanto
o índice Hang Seng da bolsa de Hong Kong encerrou o pregão em baixa de 2,38% chegando a 10.356 pontos.
Nos EUA, o mercado futuro indica abertura em baixa das principais
bolsas norte-americanas.
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Pesquisa e Nota do Setor Externo pressionam câmbio
O dólar comercial voltou a subir nesta terça-feira com receio dos investidores após a divulgação de nova pesquisa eleitoral que, apesar de ter indicado José Serra (PSDB) em segundo lugar, acusou grande crescimento de Ciro Gomes (PPS), que subiu de 9% para 16% e aproxima-se do tucano, que atingiu 20,9%.
Além disso, a divulgação da Nota do Setor Externo pelo Banco Central também trouxe pessimismo, na medida em que o BC reduziu as projeções para o volume de exportações até o final do ano e que o saldo de investimentos estrangeiros não foi suficiente para cobrir o déficit em conta corrente.
O Banco Central interveio com leilão de linha externa, mas obteve grande dificuldade para colocar US$ 300 milhões que saíram à cotação de R$ 2,808. Do total, a autoridade monetária recomprará US$ 200 milhões em 29 de julho de 2002 à taxa de R$ 2,844 e US$ 100 milhões em 26 e agosto de 2002, com o dólar cotado a R$ 2,878.
Assim, acompanhando a elevação do risco país e a queda do C-Bond, o
O dólar comercial fechou as negociações de terça-feira registrando alta de 1,55%,
sendo cotado a R$ 2,819 para compra e a R$ 2,822 para venda.
No mercado paralelo, a moeda norte-americana fechou negociada a R$ 2,819, sem ágio em relação ao dólar comercial.
Bovespa pode ser pressionada por escândalo da WorldCom
O escândalo contábil da WorldCom levou os principais índices acionários internacionais a operarem com expressivas quedas nesta quarta-feira, sugerindo que a bolsa paulista dificilmente não será contagiada pelo clima de pessimismo. Porém, o mercado tenta encontrar algum espaço para recuperar-se, aguardando a ata do Copom e o resultado da reunião do FED, que determinará o novo patamar da taxa de juros nos EUA.
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Finalmente, os investidores esperam o anúncio de importantes indicadores econômicos norte-americanos, mas o pessimismo generalizado dos mercados internacionais pode ditar o ritmo dos negócios na Bovespa.