Bovespa: no curto prazo, quadro político deve pautar decisão dos investidores

Primeira pesquisa de popularidade após primeiro turno e debate chamam a atenção; analistas avaliam perspectivas

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SÃO PAULO – As últimas duas semanas foram positivas para o mercado brasileiro de renda variável. Após os ganhos de 4,74% registrados no período compreendido entre 25 e 29 de setembro, o Ibovespa acumulou valorização de 4,09% nos últimos cinco pregões.

Na opinião de Mauro Giorgi, da corretora Geração Futuro, essa recuperação foi conseqüência de uma série de fatores. “Apesar do clima político conturbado, o resultado do primeiro turno e a austeridade do processo eleitoral, que diferente do verificado em outros países emergentes, como, por exemplo, no México, foi exemplar, foram bem recebidos pelos investidores, principalmente estrangeiros”.

“Além disso, tivemos um desempenho satisfatório das bolsas norte-americanas e a redução dos preços do petróleo. As melhores perspectivas para os resultados corporativos do terceiro trimestre beneficiaram o mercado brasileiro, que também estava atrasado em relação aos seus pares internacionais”.

Influência do noticiário político

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Em relação às perspectivas de curto prazo, os analistas consultados pela InfoMoney ressaltam que ainda existe uma série de incertezas sobre o ritmo da desaceleração da economia mundial.

Os novos dados da economia norte-americana deverão continuar balizando as decisões dos investidores e o fluxo de recursos, que começa a esboçar alguma recuperação.

No entanto, os analistas lembram que neste final de semana será publicada a primeira pesquisa de popularidade após o primeiro turno das eleições e no domingo será realizado um debate entre Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva.

Desempenho de Alckmin

“Se os números reiterarem o crescimento de Alckmin e a atuação do candidato tucano no debate de domingo for convincente, acredito que os investidores tendem a responder de uma forma favorável”, avalia Mônica Araújo, chefe de research da Ativa Corretora.

“Alckmin tem uma postura mais pró-mercado e base de apoio na Câmara e Senado um pouco mais confortável, o que indica melhores condições para a aprovação de reformas. Além disso, sugere uma maior austeridade fiscal e tem ainda os rumores sobre retomada das privatizações”, completa.

É interessante citar ainda que na próxima segunda-feira será comemorado o feriado de Columbus Day nos Estados Unidos. As bolsas vão operar normalmente, mas não está prevista a divulgação de indicadores econômicos, o que deve focar ainda mais a atenção dos investidores sobre o noticiário doméstico. Na quinta-feira as negociações na Bovespa serão suspensas em função do feriado de Nossa Senhora da Aparecida.

“Eu estou comprado e vou continuar comprado”

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Guilherme Mazuhy, da corretora Diferencial, também demonstra algum otimismo com o desempenho das ações de empresas brasileiras. “A volatilidade tende a seguir presente. Entretanto, visualizo uma maior entrada de capital estrangeiro e alguma melhora no cenário externo”.

“O mercado não acumula um desempenho muito expressivo no ano e o último trimestre sazonalmente é o mais favorável para os negócios. Eu estou comprado e vou continuar comprado’, conclui o gerente de operações.