Posse presidencial

Bolsonaro toma posse sob gritos de mito, quebra de protocolo e discurso de “libertação do socialismo”

Em seu primeiro discurso como presidente da República, Bolsonaro afirmou que uma de suas prioridades no governo será "proteger e revigorar" a democracia brasileira

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(ANSA) – Jair Bolsonaro e o general Hamilton Mourão tomaram posse às 15h10 desta terça-feira (1º) como presidente e vice-presidente do Brasil. Em cerimônia no Congresso Nacional presidida pelo chefe do Senado, Eunício Oliveira, eles leram o juramento, que diz: “Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

A sessão solene começou às 15h, em um plenário lotado de convidados, entre parlamentares, familiares e líderes internacionais, como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o ministro de Políticas Agrícolas da Itália, Gian Marco Centinaio.

O novo mandatário do país deixou a Granja do Torto por volta de 14h20, em um cortejo que levou cerca de 20 minutos para chegar à Catedral de Brasília, onde Bolsonaro se encontrou com Mourão.

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Ao lado da esposa, Michelle Bolsonaro, e do filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, o novo presidente seguiu em carro aberto no rolls-royce presidencial até o Congresso, acompanhado por uma multidão de apoiadores em verde e amarelo na Esplanada dos Ministérios.

Na entrada do Congresso, Bolsonaro cumprimentou os presidentes do Senado, Eunício Oliveira, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Discurso

Em seu primeiro discurso como presidente da República, Bolsonaro afirmou que uma de suas prioridades no governo será “proteger e revigorar” a democracia brasileira, em uma resposta às críticas de que sua ascensão ao poder possa representar uma ameaça às liberdades individuais.

Bolsonaro falou durante pouco menos de 10 minutos para um plenário lotado e também aproveitou a ocasião para reafirmar os princípios de sua campanha, como a liberalização da posse de armas, o liberalismo econômico, a valorização da família, o respeito à “tradição judaico-cristã” do Brasil, o combate à “ideologia de gênero” e o fim das “amarras ideológicas”.

“Uma de minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira, trabalhando arduamente para que ela deixe de ser apenas uma promessa formal e distante e passe a ser um componente substancial e tangível da vida política brasileira”, disse. Segundo Bolsonaro, sua campanha eleitoral “atendeu aos chamados das ruas” e “forjou o compromisso de Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

“Por isso, quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas”, declarou, aludindo a uma conspiração para matá-lo no atentado cometido por Adélio Bispo de Oliveira, em setembro passado, durante um comício em Juiz de Fora (MG). Prometendo “unir o povo”, ele reafirmou seu “compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão”.

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“Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas capazes de preparar seus filhos para o mercado trabalho, não para a militância politica; que sonham com a liberdade de ir e vir, sem serem vitimados pelo crime; que desejam conquistar pelo mérito bons empregos e sustentar com dignidade suas famílias; que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico, em respeito aos direitos e às garantias fundamentais da nossa Constituição”, ressaltou. Bolsonaro ainda disse que o “cidadão de bem” merece “dispor de meios para se defender” – ele já prometeu ampliar a posse de armas por decreto – e falou em “honrar e valorizar os que “sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança”.

“Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar respaldo jurídico para os policiais realizarem seu trabalho. Nossas Forças Armadas terão as condições necessárias para cumprir sua missão constitucional de defesa da soberania, do território nacional e das instituições democráticas”, afirmou.

Na economia, Bolsonaro prometeu defender o livre mercado, fazer o governo “não gastar mais do que arrecada” e realizar “reformas estruturantes” que serão “essenciais para a saúde financeira” do país. “Precisamos abrir um círculo virtuoso que traga a confiança necessária, para abrir nosso mercado ao comércio internacional, estimulando a competição, produtividade e eficácia, sem o viés ideológico”, salientou.

“Hoje começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história, o capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. Trabalhei incansavelmente para que o Brasil se encontre com seu destino e se torne a grande nação que todos queremos”, disse.

Faixa

Por volta de 17h, após mais um desfile em carro aberto, agora na Praça dos Três Poderes, Bolsonaro recebeu a faixa presidencial de seu antecessor, Michel Temer, durante uma cerimônia no parlatório do Palácio do Planalto.

A cerimônia de passagem de poder foi marcada pelos gritos de “mito” por parte da multidão. Em seguida, quebrando o protocolo, a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um discurso em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

A esposa do presidente é intérprete de surdos. “Boa tarde, é uma grande honra estar aqui em um momento tão especial para nosso país. Agradeço pela solidariedade nos momentos difíceis pelos quais meu esposo passou nos últimos meses”, disse.

Já Bolsonaro, em seu segundo discurso como presidente da República, afirmou que esta terça-feira marca o dia em que o Brasil “começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”. Ainda marcado por tons de campanha, o pronunciamento durou oito minutos e foi feito após a cerimônia de entrega da faixa presidencial, no parlatório do Palácio do Planalto, reproduzindo parte dos conceitos defendidos por Bolsonaro em seu primeiro discurso, no Congresso Nacional.

“Esse momento não tem preço: servir a pátria como chefe do Executivo. Isso só está sendo possível porque Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim. Juntos temos de fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque e que ele merece no mundo e trazer paz e prosperidade ao nosso povo”, disse o presidente.

Chamado de “mito” pela multidão presente na Praça dos Três Poderes, Bolsonaro afirmou que se compromete “com o desejo de mudança” expressado pelas ruas. “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e como me coloco diante da nação nesse dia, como o dia em que a nação começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”, declarou.

Bolsonaro afirmou que não se pode deixar que “ideologias nefastas” dividam os brasileiros. “Ideologias que destroem nossas tradições e valores, destroem nossas famílias, alicerces da sociedade. “Podemos eu, você e nossas famílias, restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”, salientou.

Ao fim do discurso, o presidente exibiu a bandeira do Brasil e decretou: “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for para mantê-la verde e amarela”.

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