Análise

Bolsonaro tem semana para virar a página após crise com Bebianno e tocar Previdência

Bebianno deverá ser exonerado do cargo a qualquer momento, mas os efeitos do episódio ainda são especulados no mercado

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SÃO PAULO – A crise envolvendo o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) segue ofuscando atenções da reforma previdenciária, mesmo após o governo apresentar detalhes sobre o texto que deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira (20).

Bebianno deverá ser exonerado do cargo de Secretário-Geral da Presidência da República a qualquer momento, mas os efeitos do episódio ainda são especulados no mercado, enquanto Bolsonaro e sua equipe de articulação política tentam virar a página e recuperar o tempo perdido para mudar as regras no sistema de aposentadorias.

Confira os comentários da XP Política sobre os acontecimentos recentes:

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Uma semana para virar a página

1- O ministro Bebianno ainda é notícia. É inegável que o ideal seria, na semana de apresentação da reforma da previdência, que o assunto fosse exclusivamente esse.

2- Há que se ressaltar que o assunto é crise no meio político e na mídia. Aparentemente, setores além desses não foram impactados com a mesma intensidade. Mas convém não esquecer que quem vota agora são os políticos, e o governo precisa deles para aprovar reformas.

3- Gostaríamos de ressaltar a impossibilidade do assunto impactar na base governista no Congresso Nacional, já que ela pouco ou nada existe, como afirma o próprio Líder do Governo na Câmara. O que existe é uma base potencial que começa a ser buscada nesta semana, essa, se bem feita, pode ser grande.

4- É muito salutar que o Presidente Bolsonaro tenha abandonado a ideia de negociar via bancadas temáticas e passe a tratar da reforma com os líderes partidários, que é como sempre foi e como a estrutura do parlamento e da política estão montadas para operar. Tática diferente desta poderia fazer com que o “alto clero” ficasse revoltado, e é ele quem tem o controle do plenário e da atuação das bancadas nas Casas. Ponto para a reforma.

5- A relação com o Congresso não é tranquila e está atrasada em termos de construção. Ajuda que o carnaval seja em março e que uma das razões para este atraso tenha sido a questão de saúde do Presidente.

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6- O Presidente tem ouvido pedidos de “apaziguamento” e “estabilização” após o caso Bebianno. Estas são condições indispensáveis para que se possa votar reformas, especialmente a da previdência.

7- Há que se avaliar ao fim da semana se a crise foi debelada. O pronunciamento em rede nacional desta semana deve ajudar a mudar um pouco os headlines.

8- Há que se monitorar o quão vocacionado é Bebianno para o perdão. De fato houve erro em sua demissão, e, pelas informações que apuramos, partiu do núcleo presidencial o vazamento da informação da demissão de Bebianno hoje, para tentar tornar a saída do Ministro fato consumado.

9- O Presidente também ouve – de diversos núcleos importantes do seu governo – o pedido para que controle seu círculo íntimo.

10- E a crise atrapalha a reforma da previdência? Sim, e não. “Sim” porque, segundo ouvimos de parlamentar próximo do Presidente, e que levou a ele recado ouvido no Congresso Nacional que diz “se Bolsonaro é capaz de tratar assim um aliado “raiz”, imagine a consideração que terá com os neo governistas”. Além do mais, as corporações do serviço público também olham atentas a qualquer sinal de fragilidade do governo na relação com a política. “Não” porque quem não tem votos não perde. E há que se considerar que a votação está longe no calendário, assim o assunto já deverá ser página virada quando a reforma estiver próxima do Plenário da Câmara dos Deputados.

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