Possível, mas...

Bolsonaro no 1º turno? Os votos que ele precisa conquistar para vencer a eleição já no domingo

É difícil que a eleição termine já no primeiro turno, uma vez que o candidato do PSL precisaria crescer sete pontos percentuais ou até mais até domingo, considerando ainda que nenhum outro candidato suba nas pesquisas - mas as chances estão subindo

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SÃO PAULO – Na reta final das eleições e com os eleitores buscando cada vez mais o “voto útil”, Jair Bolsonaro cresceu três pontos percentuais no último Datafolha e alcançou 35% dos votos totais (39% dos votos válidos), aumentando as especulações de que ele poderia ganhar até mesmo no primeiro turno.

Mas qual a chance real disso acontecer?

Segundo Silvio Cascione, analista político da Eurasia, essa possibilidade é de 20%. Em um eventual segundo turno contra Fernando Haddad, Bolsonaro tem 60% de chances de sair vitorioso, ainda estima a Eurasia.

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É difícil, entretanto, estimar qual é o número necessário de votos que o candidato precisa conquistar para ser eleito já neste domingo (7). “O número exato de votos que ele precisa para vencer em primeiro turno depende da abstenção de votos e também dos votos nulos e brancos. É difícil termos uma estimativa de quanto será essa abstenção”, ele explica.

Supondo uma abstenção de 30% — na última eleição ela foi de 29%, somando votos brancos e nulos -, se as eleições acontecessem hoje, Bolsonaro ainda precisaria de cerca de 10 milhões de votos para ser eleito no primeiro turno. Ele teria que conquistar 69% dos “votos azuis” (Geraldo Alckmin, João Amoêdo, Alvaro Dias e Henrique Meirelles) ou todos votos de Marina e mais 44% dos votos azuis.

Isso significa que no total, o candidato precisa de 45,88 milhões de votos para ser eleito no primeiro turno. Hoje, ele tem cerca de 35 milhões de votos, de acordo com o último Datafolha.

Segundo relatório da Eurasia divulgado na última sexta-feira (5), a consultoria aponta que Bolsonaro pode estar sendo subestimado pelas pesquisas do Datafolha e Ibope, dado seus históricos de sempre inflar as intenções de voto do PT e de “rebaixar” do PSDB, mas dificilmente será eleito já no primeiro turno.

“Tanto o Datafolha quanto o Ibope estão tentando corrigir suas previsões através de filtros entre os eleitores, então, se eles de fato estiverem subestimando Bolsonaro, será por menor de cinco pontos percentuais”, escreveu.

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De qualquer forma, uma eleição ganha já no primeiro turno é difícil, reforça Richard Back, analista da XP Política: “é difícil que a eleição termine já no primeiro turno. Ele precisaria crescer sete pontos percentuais ou até mais até domingo, considerando ainda que nenhum outro candidato suba nas pesquisas”.

Opinião divergente

Carlos Boreinstein, da Arko Advice, apontou quais seriam os pontos que levariam Bolsonaro a conseguir uma vitória em primeiro turno que, para ele, é possível.

Em publicação no seu perfil do Facebook, ele escreveu: “Pesa a favor de Bolsonaro o sentimento antipetista combinado com o possível voto útil de eleitores que hoje estão com Alckmin, Amoêdo, Meirelles e Álvaro Dias somado a atração de parte do eleitorado lulista pelo candidato do PSL. Outro componente é o fato de eventual segundo turno contra Fernando Haddad (PT) ser muito equilibrado. Assim, o desejo de uma parcela do eleitorado em derrotar o PT pode representar um efeito mobilizador para o voto útil, pois não há outro candidato com condições de surpreender e chegar ao segundo turno além de Bolsonaro e Haddad”.

Boreinstein reforça que seu crescimento nas intenções de voto segundo o último Datafolha dão impulso para que ele vença, e aponta desconfiar que o candidato ainda precise de 11 pontos percentuais para ser eleito no primeiro turno, tal como apontou a pesquisa Datafolha. “Esse índice é menor”, escreveu.

Ciro pode surpreender?

Também em relatório, a Eurasia aponta que Ciro Gomes, candidato pelo PDT, pode surpreender no resultado do primeiro turno, mas não a ponto de ameaçar o posto de Haddad no segundo turno.

“Haddad conta com uma base de apoio fiel, formada em boa parte por pessoas que espontaneamente se identificam com o PT, e a distância entre os dois está em uma média de dez pontos percentuais”, escreveu.