Bolsonaro não poderá ver vídeos do YouTube na prisão, uma das queixas de Carlos

Ministro do STF considerou que equipamento com acesso à internet poderia permitir 'prática de ilícitos'

Agência O Globo

Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal ( STF), rejeitou nesta quinta-feira um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele tivesse acesso a uma televisão com conexão à internet (Smart TV) na prisão. Moraes considerou que “não há qualquer previsão legal” para a medida e que haveria risco de “prática de ilícitos”. 

Na semana passada, Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, lamentou que Bolsonaro estivesse impedido de ver vídeos no YouTube.

“O presenteei com um novo rádio de pilha, para que ao menos possa escutar algumas estações, pois o anterior não funcionava direito, e visto que não tem nem uma pequena TV com capacidade para assistir um canal de YouTube e acompanhar notícias e outras informações”, reclamou o vereador.

A negativa de Moraes ocorreu na mesma decisão na qual o ministro determinou a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpria pena desde novembro, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) — local conhecido como “Papudinha”, por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. 

“Não há qualquer previsão legal que assegure ao preso o direito à posse ou instalação de equipamentos eletrônicos com acesso à internet ou sistemas interativos, como é o caso das smart TVs”, avaliou Moraes. 

Para o ministro, a conexão à internet “amplia significativamente os riscos à segurança institucional, podendo viabilizar comunicações indevidas com o meio externo, a prática de ilícitos, a obtenção de informações não autorizadas e a burla aos mecanismos de controle”. 

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Moraes ainda destacou que Bolsonaro tinha acesso, na superintendência da PF, a uma televisão com canais abertos e que isso permanecerá no 19º BPM. 

Na mesma decisão, além da transferência, o ministro aceitou dois pedidos da defesa do ex-presidente: autorização para assistência religiosa na prisão e participação em um programa de leitura para redução da pena. 

Moraes seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia defendido a autorização dessas duas solicitações e a negativa do pedido da Smart TV.