Contraponto

Bolsonaro: economia formal se recupera enquanto informalidade está uma catástrofe

Novamente, presidente cobrou o fim de medidas restritivas adotadas para diminuir a disseminação do coronavírus, que já matou mais de 375 mil brasileiros

Foto de Bolsonaro usando uma máscara cirúrgica no rosto enquanto caminha em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro (Andressa Anholete/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira, 20, que a economia formal mostra sinais de recuperação enquanto a atividade econômica informal segue afetada pelos efeitos da crise sanitária.

O presidente destacou que cerca de 40 milhões de trabalhadores informais são uma preocupação para o governo e, por isso, cobrou o fim de medidas restritivas adotadas para diminuir a disseminação do novo coronavírus, que já matou mais de 375 mil brasileiros.

“Os números da economia formal estão demonstrando que o Brasil está se recuperando. No tocante à informalidade está uma catástrofe, 40 milhões de pessoas que perderam tudo ou quase tudo na vida”, disse durante encontro com líderes evangélicos de Anápolis (GO) no Planalto. “Esse pessoal é uma grande preocupação da nossa parte porque teria que reabrir rapidamente as atividades”, disse.

Em sua fala, que teve trechos divulgados por participantes do encontro, o presidente se diz preparado para um cenário de “caos social”. “Pode acontecer de uma hora para a outra. Pode começar a aparecer saques a supermercado, e problemas mais variados possíveis no Brasil”, citou.

“Já estou preparado como agir dessa maneira, eu posso até adiantar para vocês: eu baixaria um decreto que seria cumprido. Seria cumprido. Porque não tem ninguém para falar que não vai cumprir, é inconstitucional porque vou passar o trator por cima para a gente fazer cumprir o artigo 5º da Constituição”, declarou. O artigo em questão trata da “inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Contrário às medidas de fechamento para frear a pandemia, Bolsonaro disse ” todo mundo está perdendo” com a política de lockdown, que é, no entanto, recomendada pela Organização Mundial da Saúde para diminuir o contágio pelo vírus. “A gente pede a Deus que apareça bom senso perante a nossa sociedade, especial na classe política, para a gente buscar nossa normalidade”, disse.

“Agora, com toda certeza, todas as medidas que foram tomadas no passado (foram) buscando abalar o governo pela economia para tirar a gente daqui. Não caí, primeiro porque falei só Deus tira a gente daqui e ponto final”, declarou. O presidente também ironizou os mais de 100 pedidos de impeachment contra a sua gestão e justificou que o governo federal fez a sua parte no enfrentamento da crise sanitária.

Para os religiosos, Bolsonaro reforçou que a categoria representa grande parte da sua base de apoio e citou medidas do seu governo. O presidente comentou que o preço da gasolina está alto, mas ponderou que o salário mínimo aumentou. “Muita coisa nós fizemos. Se for comparar o preço da gasolina está caro, está, mas se for pegar o salário mínimo de anos anteriores e dividir pelo preço do combustível se compra muito mais combustível com o salário mínimo em meu governo do que governos anteriores”, argumentou.

Aprenda como ganhar dinheiro prevendo os movimentos dos grandes players. Na série gratuita Follow the Money, Wilson Neto, analista de investimentos da Clear, explica como funcionam as operações rápidas.

PUBLICIDADE