Análise

Bolsonaro é favorito para vencer eleição, mas reação do PT não pode ser subestimada

Resiliência, poder de reação e tempo de televisão disponível em possível disputa de segundo turno dão tração a Bolsonaro no sprint final da corrida presidencial

SÃO PAULO – O crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) e a estagnação de Fernando Haddad (PT) nas pesquisas Ibope e Datafolha trouxeram um novo quadro para a disputa pela sucessão de Michel Temer na presidência da República. A quatro dias do primeiro turno das eleições, novas dúvidas surgem enquanto os candidatos lançam suas últimas cartas na mesa. Abaixo tentamos responder alguns questionamentos:

1. Jair Bolsonaro é mesmo favorito para ganhar as eleições?

Sim, Jair Bolsonaro, depois das duas pesquisas divulgadas no início da semana, retoma a iniciativa de crescimento e é o favorito para vencer as eleições de 2018. Alguns fatores têm sido importantes nos últimos dias:

1- A militância de esquerda não ter entendido que atacar Bolsonaro com pautas de esquerda não funciona. Isso só torna a militância pró-Bolsonaro mais firme e obstinada. Se um campo político alimenta o outro, a reação da militância “azul” tem sido maior e mais efetiva que a “vermelha” na internet e nas ruas. Não a toa as manifestações de domingo tiveram maior impacto político que o chamado “EleNão”.

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2- Bolsonaro terá tempo de televisão para fazer campanha no segundo turno. Propaganda na TV foi um fator essencial para que Alckmin pudesse existir e se comunicar até o episódio da facada, e Ciro Gomes tem dificuldades para disputar espaço na esquerda com o PT em parte também porque lhe falta tempo de TV. Bolsonaro terá metade do tempo do programa eleitoral para falar de si, de suas propostas, e para atacar o PT – estimulando o antipetismo, fazer discurso a favor da Lava Jato e passar mensagem de que vai mudar “tudo isso que está aí”. Esse é um discurso poderoso.

2. Jair Bolsonaro vence no primeiro turno?

Ele precisa converter 68% dos 4 “azuis” (Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, João Amoêdo e Álvaro Dias) ou 55% do 4 “azuis” + Marina Silva. Há um movimento na base do PSDB de esvaziamento de Alckmin, que pode ajudar nesta conta. Este é um ponto sensível a ser acompanhado nos trackings e pesquisas dos próximos dias.

Outra possibilidade também seria uma onda pró-Bolsonaro que se transformasse em algo além de partidos e candidaturas. Isso, alicerçado no antipetismo, poderia ser um fator, também a ser analisado nas pesquisas e trackings.

Mas a tarefa não é nada fácil. O normal é passarem Jair Bolsonaro e Fernando Haddad para o segundo turno.

3. E o PT nisso tudo?

A reação do PT evidentemente não pode ser subestimada. De partido destroçado em 2016, ele se reergueu e, mesmo com Lula preso, fará bancada importante na Câmara e Senado, e será ainda a principal força de esquerda no Brasil indo ao segundo turno.

No partido, há distintas visões sobre a reação mais adequada. Fernando Haddad poderia ser mais moderado, mas, para atingir o eleitorado de Lula, precisa manter um discurso mais forte de esquerda. Na verdade, ele perdeu o timing ideal para uma moderação e ampliação. Isso teria de ter sido iniciado na semana passada.

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Haddad deve receber reforços na coordenação de campanha: os vencedores do primeiro turno, com destaque para Jaques Wagner, devem ter papel mais ativo na eleição petista. Mas o desejo inicial de um discurso mais moderado de Haddad terá um problema: o PT o pressionará para que transforme a proposta de política econômica de Bolsonaro em alvo, com críticas à reforma da previdência, trabalhista, teto de gastos. Esses eram pontos que deveriam ser abrandados no discurso petista, mas podem ser reforçados em caso de derrota evidente para Bolsonaro.

Para o PT, seria melhor perder pela esquerda para já orientar a oposição – ou tática eleitoral, já que ao partido pode restar riscar uma linha no chão e tentar outro 2014, uma reedição dos “defensores dos pobres x defensores dos ricos”.

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