Em entrevista

Bolsonaro diz que, sem fraude, estará no 2º turno e responde se não tem medo de “virar Collor ou Dilma”

Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, ele também apontou ser a favor das privatizações, mas ser preciso analisar o modelo dependendo do caso

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SÃO PAULO – Em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) comentou as últimas pesquisas de opinião e apontou que, caso não houver fraude nas urnas eletrônicas, ele estará no segundo turno. “Sou diferente de todos os presidenciáveis que estão aí. Quem declara voto em mim dificilmente mudará. Não havendo fraude, com certeza estarei no segundo turno”, disse ele. 

De acordo com o deputado, ele “logicamente angaria um voto de protesto”, mas apontou que conta com votos de certos segmentos da sociedade, contando com “a simpatia do público evangélico, do agronegócio, dos que querem ter arma dentro de casa, que querem um currículo diferente do que estão aí e das pessoas que querem fazer o comércio com o mundo sem viés ideológico”. 

Ao falar sobre economia, Bolsonaro confirmou que está se consultando com um grupo de especialistas na área e que a equipe chegou à conclusão de que, com regras, o Banco Central tem que ser independente, “até para ter uma previsibilidade”. Ele ainda afirmou que o “tripé macroeconômico” – instituído em 1999 e formado por metas de inflação, de superávit e taxa de câmbio flutuante – tem que ser preservado.

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Quando perguntado se é a favor das privatizações, Bolsonaro afirmou que algumas estatais não deveriam ser privatizadas, mas sim extintas. Contudo, não quis dar detalhes sobre quais seriam as empresas, uma vez que “careceria de um bom estudo do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. 

“Já outras estatais têm que ser privatizadas, mas têm que ver o modelo das estratégicas, não pode entregar essas questões para quem paga mais”, afirmou o político, citando como exemplo positivo o caso da privatização da Embraer (EMBR3), além da possibilidade das “golden shares”, ações presentes em estatais ou de capital misto pertencentes ao Estado e que garante direitos especiais como o poder de veto em alguns casos e decisões.

O presidenciável ainda apontou preocupação com relação à entrada da China em investimentos no país. “Falo da China porque ela tem mais dinheiro, está sendo mais agressiva nessas questões. A China não está comprando do Brasil, está comprando o Brasil”. 

Ao tratar sobre a reforma da previdência, o deputado lembrou que ela atualmente passa por ajustes, mas que não concordava com a que estava sendo proposta inicialmente pelo governo, com idade mínima de 65 anos para aposentadoria. Ele apontou para uma proposta em que se começa a ganhar no mínimo o salário mínimo progressivamente a partir dos 55 anos “Essa proposta está sendo estudada e, logicamente, quando se fala nisso, tem que haver uma transição e pressiono minha equipe sobre o assunto. Como vai ficar a transição, como o povo vai entender isso daí. Essas coisas estão sendo estudadas, é algo diferente”, afirmou. 

Ao falar sobre como combater o déficit fiscal, Bolsonaro citou que deve haver desburocratização, “não podendo demorar mais 90 dias para abrir uma empresa no Brasil”, além de haver combate à corrupção e privatizações. “Tem que conversar com todo mundo da sociedade e procurar medidas para quem quer produzir, para quem é empreendedor, coisa que não há atualmente”, apontou. Contudo, o deputado afirmou que não apresentará o plano de governo agora. 

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Como governar com o atual Congresso?

Bolsonaro ainda atacou o “toma lá dá cá” na relação entre o governo e o Congresso que, segundo ele, é a origem da corrupção no estado brasileiro. Ao ser questionado se não tem medo de virar um novo Fernando Collor ou Dilma Rousseff (ambos sofreram impeachment), Bolsonaro afirmou que Collor caiu por questão de corrupção e a Dilma “pelas pedaladas, entre outros assuntos”. Ele afirmou que, nesse caso, “é imune à corrupção”. 

Para o deputado, “não dá para o Parlamento e o Executivo serem um corpo só”. “É o que estão discutindo agora: o PSDB vai desembarcar, o PP está de olho nas Cidades e vão ratear tudo o que está lá.  Quem escala o time não é o técnico, [quem escala] o ministério não é o presidente, é o Parlamento. Não serei o bobo da corte jamais”, apontou. 

 Ele apontou que teve uma reunião com um grupo de 18 parlamentares e estão decidindo como governar sem o ‘toma lá dá cá’: “esse grupo até abril ou maio vai ter uns 100 parlamentares aproximadamente”, afirmou.  “Não dá para continuar administrando o Brasil desta forma, o Parlamento impondo os nomes. E outras medidas têm que ser tomadas, tem que diminuir número de ministros”.

Ao falar sobre o Congresso, Bolsonaro afirmou que, se caísse uma bomba H no parlamento, “com certeza haveria festa no brasil. O Parlamento como se encontra é lamentável, mas nós temos que governar com ele”. 

Quando perguntado sobre manifestações pelo país que defendem o autoritarismo, disse que nunca pregou uma intervenção militar. “Mas se chegarmos ao caos, as Forças Armadas vão intervir para a manutenção da lei e da ordem”, disse ao comentar sobre a fala do general Antonio Hamilton Mourão em setembro deste ano.